a massa que não deu assim tão certo

29 de abril, 2009 

meu domingo de Páscoa foi meio triste, meio feliz. triste porque eu preparei uma massa que acompanharia o prato principal (vitela assada) e ela acabou ficando menos boa do que deveria. e meio feliz porque eu estava com a minha famíla querida.

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tá bom, vou ser sincera: foi mais triste que feliz. porque quando eu vi que a massa estava grossa demais, que demoraria muito tempo pra ficar pronta, que o recheio não estava excepcional e que as pessoas estavam com cara de muita fome e pouca paciência, eu sentei no quintal e caí num choro daqueles que doem, sabe? e na minha dor eu não só sentia que meu plano perfeito tinha dado errado, como também que eu tinha falhado de um jeito irreversível, tinha errado nas minhas escolhas e era como se todas as portas do meu futuro na gastronomia (whatever that means) estivessem se fechando para sempre.

no dia seguinte, perguntei para alguns colegas se tinham feito massa e se a massa deles tinha dado certo. todo mundo tinha uma história de fracasso pra contar. ninguém disse que tinha feito uma massa decente. e de fato, fazer uma coisa bem feita pela primeira vez, apesar de ser uma fantasia recorrente (não só minha, de toda a humanidade, acho), é muito improvável. e como já dizia alguém há muito tempo, é errando que se aprende. mas eu, como metade da humanidade, não me permito errar. e senti mesmo, durante muitos dias, que eu nunca mais cozinharia nada, nem um ovo, nem um prato de mingau, nem uma massa, nada, nada.

mas nas semanas que se seguiram à Páscoa eu cozinhei, e bastante. fiz mais de 30 muffins que me foram encomendados e foram bastante elogiados, fiz massa de biscoito, fiz dois gnocchis muito bons, fiz arroz basmati, sopas, doces, molhos de tomate incríveis, saladas criativas e até testei uma nova receita de pão. fiz polenta com funghi, fiz mingau de aveia e um ovo poché impecável. no meio de tudo, fiz um escalope al limone intragável, uma sopa de legumes estranhíssima e um pão que não cresceu. e a vida segue, um dia gosto de carne e no outro, só como legumes, depois penso em bolo de cenoura, vou dormir lendo livros de receitas e no dia seguinte não quero fazer é nada.

mas dentro de mim, a massa que não deu assim tão certo me assombra. não me sinto pronta pra fazer outra. já sei que é melhor não colocar sêmola e reservar mais horas pro trabalho. também sei que não foi minha primeira massa e eu deveria ter aprendido alguma coisa com as experiências anteriores.

ao mesmo tempo, não sei se é porque estou ficando mais velha e mais madura, sinto que essa assombração não vai durar muito. meu lado Polyanna, que se manifesta raramente, me diz que, se eu não aprendi antes, vamos torcer para que eu comece a aprender a partir de agora. e que eu tenha a sorte de errar bastante, pra entender de uma vez por todas que um acerto não acontece por acaso e nunca, nunca, vai acontecer na primeira ou na segunda tentativas. e que mesmo assim as portas continuam abertas.

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sobre a primeira vez fazendo massa em casa, vale ler estas histórias.

quentinha e facílima: sopa de batatas e couve-flor à indiana

25 de abril, 2009 

Tem dias, ou melhor noites, em que me dá tanta preguiça de cozinhar, que acabo apelando pra uma fatia de pão com queijo ou uma simples caneca de leite quente. Mas quando as noites ficam mais frias, nenhuma dessas opções me basta. Meu corpo pede calor, e isso não siginfica somente um líquido quentinho, ou um queijo derretido sobre um pão recém-saído da torradeira. Eu preciso de mais: quero “sustança”, cor, sabor, consistência. Então eu faço o que a maioria dos mortais faz quando está frio: tomo sopa. Sopa feita em casa, claro, porque pra mim as sopas de pacote são tão brochantes quanto uma caneca de leite quente.

Aqui em casa, o cardápio de sopas não é dos mais extensos; deve chegar a umas seis receitas diferentes, que eu repito todo outono/inverno, mas que são sempre degustadas com um entusiasmo de “primeira vez”. Uma das favoritas é a sopa de batatas e couve-flor, que virou à indiana por causa dos temperos. Ela também pode ser feita nos dias quentes, para ser servida fria - mas eu nunca tentei, afinal nos dias quentes eu ainda me contento com um pãozinho com queijo…

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Sopa de batatas e couve-flor à indiana

Ingredientes (para 6 pessoas):

500g de batatas
500g de couve-flor
2 cebolas grandes
4 dentes de alho
1 pedaço de gengibre (15g)
1 colher de café de curcuma
2 colheres de café de cominho em grãos
3 colheres de café de coentro em grãos
1 lata de creme de leite
1 colher de sopa de azeite
1 litro de caldo de galinha (de preferência caseiro)

Preparo:
Separe os buquês da couve flor e lave bem. Descasque e corte as batatas em cubos. Pique as cebolas, o pedaço de gengibre e os dentes de alho.
Aqueça o azeite em uma panela grande. Adicione a cebola e o gengibre. Quando a cebola estiver transparente, acrescente o cúrcuma e os grãos de coentro e cominho. Adicione o alho, a couve-flor e os cubos de batata e o caldo de galinha. Salgue e deixe cozinhar em fogo brando por cerca de 30 minutos. Leve metade do conteúdo da panela ao liquidificador e bata com metade da lata de creme de leite. Faça o mesmo com a outra metade e volte tudo ao fogo até começar a ferver. Retire do fogo e sirva.

pra fechar o feriado cinzento: far de amoras e coco

21 de abril, 2009 

O dia está escuro, a temperatura caiu, faltam poucas horas pro feriado acabar….pra dar uma animada nos espíritos, nada melhor que um far. Tradicional da região da Bretanha, no norte da França, o far é uma espécie de bolo com consistência de pudim. Existem muitas versões de far e a mais conhecida delas é o far breton, que leva ameixas pretas.

Nesta versão, eu troquei as ameixas por amoras, substituí parte do leite por leite de coco e salpiquei de coco ralado. Pode acreditar: essa belezura ficou uma delícia.

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Far de amoras e coco

Ingredientes:

200 g de amoras frescas ou congeladas (ou ameixas pretas sem caroço)
60 g de açúcar
250 g de farinha de trigo
5 ovos batidos
500 ml de leite
200 ml de leite de coco
Manteiga para untar a forma
100 g de coco ralado para a cobertura

Preparo:
Numa tigela, coloque a farinha e o açúcar e misture. Faça um buraco no meio e acrescente os ovos batidos. Mexa vigorosamente com uma colher de pau. Ferva o leite e adicione a esta mistura, mexendo bem para evitar que empelote. Acrescente o leite de coco.

Preaqueça o forno a 220 graus. Unte uma assadeira redonda (de até 26 cm de diâmetro), coloque um pouco de açúcar e acrescente as amoras. Despeje a massa, polvilhe o coco ralado e leve ao forno por cerca de 40 minutos, até que a massa esteja firme.

definitivamente, meu arroz preferido: basmati

20 de abril, 2009 

eu não sou fã de arroz, a não ser de arroz doce. quando deixei a casa dos meus pais pra dividir um apartamento com amigas, na primeira ida ao supermercado, uma delas se espantou porque eu nem estava planejando comprar arroz e feijão. na sua maginação, teríamos sempre na geladeira um tupperware com arroz e outro com feijão, prontos pra acompanhar um bifinho frito na hora. na minha imaginação, eu passaria noites e finais de semana testando todas as receitas dos meus livros de culinária, que nunca acompanhariam um arrozinho, fosse ele de tupperware ou feito na hora.

a verdade é que, além de não gostar de arroz, eu nunca soube fazer arroz. e nunca fui cobrada por isso, porque nos anos em que morei com os amigos, distraí a atenção de todos com ratatouilles perfumadas, sopas confortantes, lasanhas exóticas e a famosíssima torta grega de abobrinha. diante de pratos bem mais complexos do que um simpes arrozinho, não passou pela cabeça de ninguém duvidar da minha capacidade de fazer arroz.

até que eu fui morar com o marido. para a minha sorte, ele andava numa onda tão natureba quanto eu e ficava feliz da vida de comer arroz integral - que além de ser muito mais saúdável, é bem mais fácil de preparar. até que um dia enjoamos, os dois, da granola matinal e do arroz integral de quase todas as refeições. e compramos pão, requeijão e um saco de arroz branco. pra minha sorte, de novo, o marido estava com muita vontade de cozinhar e vivia pedindo dicas para os outros. perguntou para a mãe dele e logo descobriu como é fácil fazer arroz branco. quer dizer, fácil pra ele. porque o meu arroz branco é de chorar de tão ruim. então aqui em casa ficamos assim: só tem arroz branco quando ele faz. se é a minha vez de preparar a comida, invento logo um outro acompanhamento (invariavelmente, quinua, couscous ou batatas), ou apelo pro arroz integral.

mas e o basmati, onde é que entra? ele já andara rondando meus pensamentos há alguns anos, quando me empolguei com uns livrinhos de receitas que eram vendidos junto com um jornal (hm hm, aqui não mencionamos nomes de pessoas ou marcas) e decidi fazer um almoço de aniversário com pratos indianos e tailandeses. preparei uma receita de arroz do livro sobre a Índia, mas como não encontrei o basmati, comprei um arroz jasmin, tailandês, super pefumado mas que empapou todo. e toda vez que eu queria fazer um arroz diferente, fazia o jasmin, perfumadinho, empapadinho, ou, se o bolso estivesse mais cheio, partia pro arroz selvagem (66 reais o quilo, dá pra acreditar?). e torcia pra irmã me trazer da Malásia, junto com os temperos e molhos e misturas, um pouquinho de arroz basmati.

esse ano, como eu precisava muito que ela me trouxesse umas sementes cuja venda aqui foi proibida recentemente, desencanei de pedir o basmati. mas tive a sorte e o prazer de encontrá-lo em duas ocasiões: numa aula sobre acompanhamentos, onde aprendemos a preparar o basmati ao estilo pilaf (primeiro frito e depois cozido no forno) e logo em seguida numa loja de importados na Paula Souza. atenção: eu sei que tem basmati aos montes no empório Santa Luzia, mas sinto arrepios de pisar num lugar tão exclusivo. sei também que tem basmati da Casino, mas ele vem numa caixa de papel, sem o charme dos saquinhos de arroz indianos. por isso logo que vi o saquinho na tal loja da Paula Souza, não hesitei. comprei, trouxe pra casa e fiquei esperando uma grande ocasião pra testar o basmati.

hoje, véspera de feriado e ponte no trabalho, meio gripada e disposta a passar o dia de pijama arrumando com a faxineira as gavetas e prateleiras da casa, decidi que era uma grande ocasião. fiz o basmati ao modo pilaf, ou seja, fritei meia cebola bem picadinha com uma colher de sopa de manteiga, joguei uma xícara de arroz beeeeeeem lavado, deixei fritar um pouco, jogeui um pouco de sal, coloquei 2 folhas de louro fresco, 600 ml de água e levei ao fogo até ferver. ferveu, tampei a panela e deixei cozinhar no forno preaquecido (180 graus) por uns 20 minutos. tirei do forno, destampei, mexi com o garfo e comi um arroz leve, soltinho e suave, acompanhado de picadinho de carne e brócolis no vapor.

basmati

e decidi que o basmati vai ser o arroz do dia-a-dia. tanto é que já ganhou um lugar na despensa…e a sacolinha já foi pro armário das bolsas.

PS: se for comprar um basmati com essa mesma embalagem, muita atenção na hora de abri-la: o arroz fica acondicionado em um saco plástico que parece estar fechado mas não está e se você fizer qualquer movimento mais brusco, verá centenas de grãos de arroz se espalhando pela sua cozinha em questão de segundos

lembrancinhas da festa: biscoitos de gengibre temáticos

18 de abril, 2009 

Meu sobrinho é fascinado por meios de transporte. Na lista dos preferidos, a ordem é mais ou menos essa: tem, vião, bibi, , nhão, uó-uó e tuktuk. Portanto, nada mais natural que esse fosse o tema da festa de aniversário dele. E sendo ele um membro da família Recheiabolo, nada mais natural que a festa acontecesse do nosso jeito, ou seja: comida e decoração por conta da casa, quase tudo feito à mão (a muitas mãos) e fugindo do óbvio.

Usando todos os seus talentos e aproveitando materiais que já tinha em casa, minha irmã planejou um bolo-estrada (versão atualizada do bolo de aniversário dos meus 3 anos), bandejinhas de papelão decoradas com ônibus, caminhões e barcos feitos a partir de restos de papel, toalha pintada com carimbos de batata e saquinhos de lembrança com cadernetinhas decoradas com trens, aviões, motos, carros e caminhões.

barco

Quando começamos a dividir as tarefas entre vó, vô, mãe e tias, e eu fiquei incumbida, entre outras coisas, de cuidar dos saquinhos de lembrança, logo percebi que as cadernetinhas não seriam a melhor opção. Quem já viu criança desenhando, sabe que elas usam folhas de sulfite A4, às vezes mais que uma ao mesmo tempo, e dar a elas uma cadernetinha com folhas muito menores do que costumam usar seria frustrante pra elas e um desperdício de papel para nós.

Então decidimos substituir as cadernetinhas por biscoitinhos temáticos. Graças a um surto consumista que eu tive em alguma passagem pelo corredor de formas e forminhas no supermercado, encontrei na minha cozinha cortadores de biscoito em forma de avião, carro e navio. Escolhi uma receita de biscoito que geralmente agrada a todos os paladares: os biscoitos de gengibre que uso para o Natal - e usei para fazer os corações da foto do primeiro post desse blog.

cortadores

No Natal, eu costumo fazer biscoitos pra presentear muita gente, então faço essa receita inteira, que me rende uns 150 biscoitos médios. Para as lembrancinhas, eu usaria cortadores pequenos, então fiz só meia receita. pelas minhas contas, acho que assamos mais ou menos 120 biscoitinhos! Quer dizer, assamos não, porque eu só fiz a massa e deixei o resto nas mãos do marido (e fui costurar 15 saquinhos de feltro para as lembrancinhas).

assados

Biscoitos de gengibre (meia receita)

Ingredientes:
100 g de melado de cana
50 g de manteiga amolecida
50 g de açúcar mascavo
3 g de gengibre em pó
3 g de bicarbonato de soda em pó
1 pitada de sal, de noz moscada, de canela, de cravo moído, de cardamomo em pó
1 ovo
300 g de farinha de trigo

Preparo:
Numa batedeira, bata o melado, a manteiga, o açúcar, o bicarbonato, o sal, as especiarias, o ovo e 100 g de farinha. Quando a mistura estiver bem cremosa, acrescente o resto da farinha e bata. Nesse estágio, é possível que sua batedeira não consiga mais trabalhar, então termine o serviço com as mãos até obter uma massa lisa.
Preaqueça o forno a 180 graus, abra a massa (se ela estiver grudando, abra entre folhas de filme plástico), corte e leve para assar por 10 minutos em formas ou assadeiras forradas com papel manteiga. Atenção: os biscoitos devem sair do forno antes de estarem durinhos. Eles endurecerão logo depois de saírem do forno. (se eles já saírem duros do forno, ficarão ainda mais duros fora dele).

saquinho

PS: tem é trem, vião é avião, bibi é moto, é carro, nhão é caminhão, uó-uó é ambulância e tuk-tuk é trator. Simples assim.

tem

bolop

navio