laranjas na cozinha?

31 de outubro, 2009 

laranja

Na minha adolescência, eu não gostava de esporte e estava acima do peso. Então comecei a freqüentar uma médica para emagrecer, que prescrevia uma dieta balanceada, com baixas calorias e regras bem rígidas. Alguns alimentos eu poderia comer pouco, outros, praticamente nunca. Na lista dos vilões, dos quais eu deveria manter uma distância considerável, figuravam três frutas: laranja, banana e uva. Todas super calóricas. Todas proibidas.

E desde aquela época (há quase 20 anos!) eu não como nenhuma delas. Hoje minha escolha não tem tanto a ver com a quantidade de calorias e sim com uma questão de paladar. Uva é muito doce, banana, doce e melequenta, laranja, doce e enjoativa… Quando eu encontro receitas que usam alguma dessas frutas, passo batido. Mas venho tentando me reaproximar da laranja. No ano passado, quando comecei a assar biscoitos natalinos, decidi testar uma receita de biscoitos de laranja com cobertura de chocolate. Foi amor à primeira vista. E enjôo depois da terceira bolacha!

Passei praticamente esse ano todo sem pensar em laranjas, até comprar uma edição da La Cucina Italiana dedicada a pratos vegetarianos. Que tem várias saladas e legumes preparados com laranja. Ou arancia. Arancia não soa melhor, mais suave? E as arance das fotos? Todas lindas, laranjíssimas, frescas, tentadoras. Fiz uma das saladas da revista, com folhas, erva doce, nozes e pedaços de laranja. E a laranja não fez diferença nenhuma. Eu teria ficado tão satisfeita quanto fiquei se tivesse usado só as folhas, a erva doce e as nozes (pensando bem, talvez ela ficasse mais gostosa ainda com azeite, que eu descobri que tinha acabado quando a salada já estava toda montada).

Essa semana, mais uma tentativa: muffins de laranja. Não assim apetitosos quanto os do Vitor Hugo; fiz uma receita hippie, com farinha de aveia, germe de trigo, óleo, passas, nozes e uma laranja picada. De novo, a laranja não disse a que veio – e antes de assar os muffins, experimentei a massa crua, senti que estava meio sem graça e acrescentei gengibre em pó – esse sim, garantiu um certo tchans aos muffins.

Mas o que fazer com os sonhos cor de laranja da Leonor? Olha as fotos e pensa comigo: essas tortinhas tão lindas, não podem ser ruins. E agora? Será que testo a receita, não testo, troco a laranja por mixirica ? Procuro alguma preparação mais simples pra decidir de vez se gosto ou não de laranjas?

Ou desencano e sigo aproveitando a carambola, o limão, o pêssego, a graviola, o limão siciliano, a ameixa, o coco, a maçã, o cajá, a pera, o morango, o damasco, a amora, o figo, a jabuticaba, o caqui, a nectarina, a framboesa, o melão….?

vou parar de escrever aqui

29 de outubro, 2009 

porque eu vou começar a escrever ali

bolachadoce

(brincadeira, pessoal. eu vou escrever nos dois. e obrigada aos leitores/degustadores pelo presente tão doce.)

primeiro dia de “férias”

26 de outubro, 2009 

Estou de férias! Quer dizer, férias do curso, por uma semana, por causa do Mesa São Paulo. Terei cinco noites livres pra fazer o que eu quiser: ver o Zé Mayer na TV, terminar o novo livro do Rubens Figueiredo, brincar com minhas gatas, jantar com amigos, tricotar, namorar, dormir e até… cozinhar. Na ordem dos meus desejos, cozinhar ocupa os primeiros lugares da lista. Ou deveria ocupar. Eu fiquei bem animada com a possibilidade de testar algumas receitas, fazer bolo de figos, outra receita de cheesecake (com laranja e limão) e quem sabe algum prato salgado. Mas também me animei com tantas outras coisas – por exemplo, ver alguns filmes da Mostra, reorganizar todas as minhas fotos no computador e escrever uma carta – que eu nem sei se, quando e o que eu vou cozinhar.

Como eu já escrevi em algum lugar, eu gosto de cozinhar, mas não todo dia. Não sou daquelas pessoas obcecadas com comida que acompanham todos os blogs, sites, revistas e outros quetais sobre o assunto. Não sou foodie, nem gourmet, tô mais pra gourmande (sem muitas exigências, adoro restaurantes por quilo ordinários) e pra mim comida está sempre atrelada a pessoas e emoções. Então eu até que poderia me forçar a cozinhar essas cinco noites, praticar o que venho aprendendo e o que ainda não aprendi (cortar cebolas em brunoise, saltear sem desperdiçar metade dos alimentos), mas prefiro, já que o clima é de férias, fazer o que me der na telha, sem muita pressão.

E nesse clima “deixa a vida me levar”, hoje eu me diverti por uma meia hora na cozinha. Fiz um glacê real pra decorar os biscoitos assados ontem – de gengibre, preparados seguindo essa receita – e foi isso. Levei um baile do bico de confeitar, a mão tremeu toda, as costas reclamaram, tive que tomar meio litro de suco de goiaba pra me recompor… e fui relaxar um pouco na rede. Porque ficar de férias, assim, meio à toa, também exaure a gente, sabe?

biscos

comida caliente

20 de outubro, 2009 

meu lado jornalista reapareceu e me presenteou com muitas perguntas sobre este blog, que vão desde “qual a linha editorial?” até “porque tanta gente lê e quase ninguém comenta?”, passando por “o que será que motiva uma pessoa a ler o blog ou voltar mais uma vez?”. e eu tinha ficado com uma vontade imensa de escrever um post sobre uma ida a sebos em busca de livros de culinária (e o que eu encontrei), outro sobre a procura frustrada por um frango assado daqueles de televisão de cachorro, e outro sobre a prova de cortes lá do curso…mas meu lado jornalista-chata me proibiu de escrever aqui. “ah, não tem uma foto bacana pra acompanhar o texto? então não pode publicar nada”. ou então: “mas o que você tem pra falar sobre sebos, frangos de padaria ou lâminas de salsão que já não tenha sido escrito antes, de maneira bem mais interessante?” e também: “ei, chega de papo furado, vá para a cozinha, prepare um prato decente, tire uma foto melhor ainda e publique logo aqui.”

respira, ligia, respira, e com toda a finesse desse mundo, manda esse seu lado jornalista catar coquinhos no quintal do vizinho. pronto, estou mandando. na forma desse post assim, desse jeito cor de burro quando foge, com uma foto idem.

front

um grand finale docinho

12 de outubro, 2009 

figos

Não sei se estou ficando mais madura, ou mais conformada com as coisas, mas o fato é o seguinte: o feriado passou e eu não fiquei angustiada por não ter feito tudo o que queria fazer. É segunda à noite e estou tranqüila, com as bolsas arrumadas para amanhã, as contas pagas, as facas afiadas, o escritório organizado, presentes embrulhados, caldo de legumes congelado, livro quase terminado, gatas ronronando, marido bem cuidado… Claro que eu gostaria de ter ido ao cinema, lido outro livro, conversado com mais amigos, visto os russos no CCBB e quem sabe, ter dado um pulinho na praia. Mas não deu e não estou sofrendo. É sério.

Na semana passada, queimei a mão direita na aula. Fiquei com uma queimadura enorme, que só não virou uma bolha horripilante porque passei umas duas horas com um saco de gelo sobre ela. Alguns dias depois, a pele queimada começou a sair, o que tem me obrigado a lambuzar a mão de pomada cicatrizante/anti-séptica a cada duas horas. Com esse machucado, não daria mesmo pra saracotear muito no feriado, principalmente na cozinha. Então eu me contentei em picar 10 cebolas, 5 cenouras e 5 talos de salsão (treinando pra prova de cortes dessa semana…). Mas se o feriado foi tão gostoso, não seria o caso de fazer um docinho em comemoração?

Eu tinha uma caixa de figos comprados ontem, bem suculentos. Tinha vontade de fazer uma torta com frangipane (aquele creme com farinha de amêndoas) mas sem peras, que são a combinação clássica. Ah! Tenho cinco forminhas de silicone pra fazer mini tortinhas - ou melhor, tortinhas pequenas, individuais pras mais gulosas ou de dividir com o namorado. Abri o meu super Excel das receitas interessantes, digitei “figos” e logo me apareceram 3 receitas. Escolhi uma torta de figos assados sobre um creme feito com farinha de amêndoas, açúcar de confeiteiro, manteiga e ovo – quase uma frangipane, mais simples (a fonte? Ultimate Cake). O Excel indicou que eu precisaria de uma forma de 23 cm, que eu tenho, mas estava decidida a não usar. Enquanto fazia a mise-en-place, fiquei em dúvida se não deveria dobrar a receita da massa e do recheio, pois não sabia se teria massa suficiente para as cinco forminhas. Resolvi arriscar, fiz uma receita só e consegui assar cinco tortinhas com dois terços da massa (o resto foi pra geladeira). O recheio, eu acabei usando todo (comi um pouco também). Só esqueci de reduzir o tempo de forno pra pré-assar as tortinhas, então elas douraram mais do que deveriam. Mesmo assim, ficaram lindas, não? E muito gostosas - palavra de quem comeu.

massinha

Torta de figos ( 8 a 10 fatias, se feita na forma de 23 cm)

Ingredientes para a massa (pâte sablée):
- 180 g de farinha de trigo peneirada
- 90 g de manteiga gelada em cubos
- 60g de açúcar de confeiteiro, peneirado
- 1 colher de chá de raspas de limão
- 1 gema de ovo batida
- 1-2 colheres de sopa de água gelada (eu usei as duas)

Ingredientes para o recheio:
- 60 g de farinha de amêndoas
- 60 g de açúcar de confeiteiro
- 60 g de manteiga sem sal, a temperatura ambiente
- 1 ovo- a colher de chá de raspas e limão
- 375 de figos frescos, cortados em dois
- açúcar de confeiteiro (ou impalpável) para decorar

Preparo da massa:
Coloque a farinha em uma tigela grande, acrescente os cubos de manteiga e misture usando as pontas dos dedos até formar uma farofa. Junte a gema de ovo e a água, misturando rapidamente. Acrescente o açúcar e as raspas de limão, forme uma bola, cubra com filme plástico e leve à geladeira por uma hora.

Preparo do recheio e finalização:
Preaqueça o forno a 200 graus. Retire a massa da geladeira, abra com um rolo (fica mais fácil se abrir a massa entre 2 folhas de filme plástico) e coloque sobre a forma (ou as forminhas). Fure a base da massa com um garfo, coloque um pedaço de papel manteiga sobre a base e cubra de feijões ou moedas(para impedi a massa de estufar quando assar).Asse a massa por 10 minutos, retire do forno, retire os feijões/moedas e o papel manteiga e asse por mais 10 minutos. Retire do forno e deixe esfriar.

Prepare o recheio: misture bem a farinha de amêndoas, o açúcar, a manteiga, o ovo e as raspas de limão até obter um creme. Espalhe o recheio sobre a massa da torta e coloque os figos por cima. Asse a torta por 45 minutos a 180 graus (se tiver feito na forma grande) ou 30 minutos se tiver usado forminhas.