no escuro

27 de janeiro, 2010 

oi. eu não sumi. tenho cozinhado coisas gostosas e pensado em posts para cá. mas na hora de fotografar, só dá chabu. tudo culpa do tempo ruim, das nuvens pretas que chegam com as chuvas e escurecem tudo. outro dia fiquei mais de uma hora tentando fazer uma sessão de fotos decente; passeei com o prato pela casa toda atrás de um canto mais iluminado. mas por aqui, tinha anoitecido - e eram só 3 da tarde…

ni

essa era a toalha que eu estava usando na sessão de fotos. a Nina aproveitou um descuido e puxou a toalha de cima da mesa (felizmente eu já tinha tirado o prato…)

lasanha de berinjela, sem bolonhesa

19 de janeiro, 2010 

nos últimos dias de férias eu já dizia pro meu marido: estou com saudade da minha comida. e não era um desejo de comer um prato específico, até porque eu não tenho um prato favorito, nem uma especialidade. significava simplesmente que eu sentia falta do meu tempero. que nada mais é do que a mistura de muitas ervas frescas. sabe cozinha cheirando a tomilho com um leve toque de limão? e aquele cheiro ultra refrescante de manjericão bem verde, bem fresco? então, era disso que eu sentia falta.

de volta a São Paulo, fomos ao sacolão nos abastecer de frutas, legumes e ervas. quando olhei uma bandeja de berinjelas cortadas em lâminas finas, logo soube como mataria a saudade da minha comida: faria com elas uma lasanha recheada de legumes, com queijo, molho de tomate feito em casa e temperos fresquíssimos. comprei muitos tomates, cogumelos de Paris, abobrinha, queijo, tomilho, sálvia e manjericão.

eu nunca tinha feito uma lasanha de berinjela, mas já comera várias, todas diferentes: em algumas, a berinjela fora frita, em outra, estava mais molhada; em outras, mais amarga. e em outras, havia presunto e molho à bolonhesa, além de uma cobertura de quase um quilo de queijo. eu sabia o que e como eu queria: berinjela macia, queijo em quantidade suficiente para dar uma liga mas sem mascarar os outros sabores e nada de carne. a dúvida era o que fazer com a berinjela: cozinhar um pouco, branquear, ou colocar as fatias cruas na fôrma. lendo a receita da Pat, decidi fazer o que ela recomendara: deixar as fatias em água fervente com um pouco de suco de limão. nos 10 minutos em que ficaram na água, elas amoleceram bastante, então na hora de montar a lasanha, alternei fatias cozidas com fatias cruas (que tinham sobrado). comendo a lasanha pronta, não senti diferença nenhuma na consistência das fatias. só senti o sabor e o perfume da abobrinha crocante, das lâminas de cogumelos com bastante pimenta e das folhas frescas. e fiquei satisfeitíssima com a minha comida.

lasanha

Lasanha de berinjela sem carne (para 6 pessoas)

Para o molho de tomate:
- 10 tomates vermelhos bem maduros, sem pele e sem sementes, picados
- 2 dentes de alho picados
- 1 colher de chá de vinagre de vinho tinto
- 1/2 colher de chá de pimenta chilli
- eminta do reino e sal a gosto
- 1 punhado de manjericão e de tomilho frescos

Para o recheio:
- 20 fatias (longitudinais) finas de berinjela
- 400g de queijo mussarella
- 200 g de cogumelos Paris laminados
- 2 abobrinhas médias picadas em cubos pequenos
- 1 cebola bem picada
- 1 colher de sopa de folhas de sálvia picadas
- sal e pimenta do reino a gosto

Preparo do molho:
- Em uma panela funda, aqueça um pouco de azeite e coloque o alho. Quando começar a dourar, acrescente os tomates, o vinagre, a pimenta chilli e o tomilho, misture bem e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos, até ficar com consistência de molho. Tempere com sal e pimenta do reino, junte as folhas de manjericão, tire do fogo e reserve.

Preparo do recheio:
- Aqueça um pouco de azeite em uma panela, frite as cebolas, acrescente as abobrinhas em cubos e os cogumelos em lâminas e salteie. Adicione sal, pimenta e sálvia, a seu gosto.

Preparo da lasanha:
Preaqueça o forno a 220 graus. Em uma fôrma retangular (usei uma de 24 cm X 19 cm), coloque um pouco de azeite, uma colher de molho de tomate e uma camada de fatias de berinjela. Coloque um pouco de molho, o queijo, a mistura de abobrinhas e cogumelo; mais uma camada de berinjelas e assim por diante até terminar com queijo e folhas de sálvia. Leve ao forno por 30 minutos e sirva bem quentinha.

ostras, porque não?

12 de janeiro, 2010 

até a semana passada, minha relação com ostras era simples assim: tenho nojo de lesmas. ostras frescas se parecem com lesmas. logo, eu nunca vou comer ostras frescas. mas passeando em Ribeirão da Ilha, no lado oeste de Florianópolis, fomos almoçar em um restaurante e o garçom logo nos ofereceu ostras. diante da nossa cara de espanto e recusa, ele sugeriu que comêssemos ostras ao bafo, acompanhadas por vinagrete. “é loucura oferecer ostras ao natural pra quem nunca comeu ostras”, ele disse, e logo concordamos. cautelosos, pedimos só meia porção. cada um abriu a sua, comeu, gostou, elogiou. até pedimos outra meia porção! achei as ostras ao bafo gostosinhas e nada repugnantes. bonitas, até, lembram um cogumelo. ou alcachofra, não?

ostra

para a minha viagem a Santa Catarina, eu levei 3 livros e nossa chegada a Floripa coincidiu com o término da leitura de Eating Animals. o livro investiga a produção de carne nos Estados Unidos, revelando a crueldade e o sofrimento a que perus, galinhas, porcos, bois e peixes são submetidos. claro que no meio do livro eu já tinha parado de comer qualquer tipo de carne, mesmo os peixes recém pescados na Guarda do Embaú (só de ver os peixinhos se contorcendo na rede dos pescadores eu sentia arrepios). mas quando os garçons nos mostraram a “fazenda” de ostras ali, na frente do restaurante, e nos contaram sobre todo o processo de criação, eu achei tudo aquilo tão puro, tão “natural”, que me rendi às ostras. e logo depois, a uma moqueca de garoupa com frutos do mar, tudo pescado ali mesmo, fresquinho. só seria perfeito se os animais não tivessem sofrido nada, mas isso é pedir demais: que tirar a vida de outro animal não lhe traga sofrimento.

ribeirao

agora, de volta ao lar, continuo no dilema de parar de comer carne ou não. ainda não cheguei a conclusão nenhuma. mas o fato é que o consumo de carne em casa tem diminuído. e por aqui, já vou avisando, não ando com vontade de publicar nenhuma receita com ostras, peixes ou frutos do mar. mas logo mais vão surgir receitas saborosíssimas. sem carne, sem sofrimento, com muito prazer.