calmaria na cozinha (de novo…)

30 de março, 2010 

zazagua

todo dia a gente fazia tudo sempre igual: ela me acordava antes do despertador tocar, com patadas na cara. eu descia da cama, ela me seguia até o banheiro e depois a gente ía pra cozinha - eu cantando alguma música boba e ela correndo, faminta. eu servia ração e água pras duas e pra ela ganhava um pratinho especial, com um pouco de papaia. depois ela subia na pia pra beber água da torneira e enquanto eu preparava o meu café da manhã, ela já tinha descido da pia, subido em alguma cadeira e pulado na mesa, onde cheirava o pão, o queijo, brincava com alguma embalagem até ser expulsa dali. então ela se acomodava em algum canto e ficava observando. quando eu acabava o café, ela já estava pronta pra me seguir até o quarto, o banheiro, onde fosse. se eu ficasse trabalhando em casa, ela se acomodava ao lado do meu computador e passava horas observando. seu eu fosse trabalhar fora, eu já sabia que quando girasse a chave na porta de casa, à noite, ela seria a primeira a me receber.

essa foi a minha vida com a Zazá nos últimos três anos. até que ela começou a ficar menos animada, mais encolhida nos cantos, comer menos e beber mais água. e fazer xixi em qualquer lugar. e vomitar água. em poucos dias, a forma dela tinha mudado de “coelho gordo” pra “frango light” e corremos pro veterinário. ela ficou uma semana internada e na sexta passada, depois de muitos ultrasons, exames de sangue e de contraste, foi diagnosticada com insuficiência renal crônica, que é muito comum em gatos velhos e pode, em poucos casos, acometer gatos novos como ela. não existe cura pra IRC, só paliativos pra retardar a progressão da doença: soro diário, alguns medicamentos, ração especial e controle com o nefrologista.

quando a gente estava aceitando a ideia de que ela nem sairia do hospital, Zazá melhorou, teve alta e voltou pra casa. magra, assustada, meio cambaleante, enxergando pouco. passamos o final de semana com o estômago apertando, chorando e pensando em eutanásia, até decidirmos que ela vai ter uma “aposentadoria digna”. enquanto ela viver - e pode ser uma, duas, três semanas, um ou mais meses, ela vai receber muito carinho, atenção, comida boa (atum, franguinho, como recomendou a doutora) e água à vontade. mas não vamos submetê-la à tortura diária de receber uma bolsa de soro por via subcutânea, porque ela fica super estressada e gasta toda a energia dela rosnando e tentando se desevencilhar da agulha. pode ser que isso reduza a expectativa de vida dela, mas também vai dar um pouco mais de qualidade de vida, de conforto e sossego, e pra nós isso é mais importante.

essa foto foi tirada no domingo à noite. de lá pra cá, a Zazá está bem melhor, tem subido em janelas, camas, cadeiras, às vezes mia, me recebe na porta de casa e agora há pouco comeu um pratinho de papaia. a nossa velha rotina não volta mais, mas estamos conseguindo estabelecer uma nova, e está sendo bom. triste e bom.

cornos de gazela

21 de março, 2010 

parece nome de doce português, mas é um doce marroquino de-li-ci-o-so. não é açucarado demais nem melequento como os doces árabes que se vendem por aí. os cornos são sequinhos, crocantes e doces não por causa de excesso de açúcar, mas pela mistura de amêndoas, um pouco de açúcar, um pouco de água de flor de laranjeira e raspas de limão siciliano. delícia delícia delícia.

cornos

Cornos de Gazela (rende cerca de 35 cornos)

Ingredientes para a massa:
- 300 g de farinha de tigo
-1 clara de ovo
- 1 colher e chá de água de flor de laranjeira
- 50 de manteiga derretida, à temperatura ambiente
- 1 pitada de sal
- 100g de água

Ingredientes para o recheio:
- 250 g de amêndoas sem pele
- 100 g de açúcar de confeiteiro
- 1 colher de chá de água de flor de laranjeira
- 1/2 colher de chá de raspas e limão siciliano
- 1 gema
- 1 colher de chá de azeite

Preparo da massa:
Misture os ingredientes em uma tigela, com as mãos. Misture bem até formar uma massa lisa e macia - se for preciso, acrescente mais farinha. Abra a massa bem fina e corte em discos de 5 cm de diâmetro. Preaqueça o forno a 180 graus.

Preparo do recheio:
Misture os ingredientes do recheio e processe (ou bata no liquidificador, nesse caso adcione um pouco de água) até obter uma pasta. Molde pequenos “croquetes”, recheie os discos e feche como uma meia lua. Aperte as bordas e molde como um chifre. Asse por cerca de 25 minutos (a massa não precisa estar dourada, mas com aspecto de assada - repare que eu deixei assar um pouco além da conta) e polvilhe açúcar de confeiteiro antes de servir.

derradeiras cerejas

14 de março, 2010 

sou louca por cerejas e quando é época, compro-as toda semana. com parcimônia no começo, mas à medida que o preço vai caindo, chego a comprar 3 pacotes de uma vez. sempre sonho em fazer clafoutis perfumadíssimos, mas no calor, quem é que aguenta? e acabo comendo-as geladinhas, ao natural (mas continuo sonhando com clafoutis). então quando são pedro perde o juízo e a temperatura cai uns 15 graus e descubro que tem um pacote de cerejas na geladeira, o que é que eu faço? clafoutis?

não…o clafoutis parece que vai ficar pro próximo invernico do próximo verão, porque as cerejas sumiram do sacolão e na semana passada, eu usei o que restava delas pra fazer muffins. é que ando tendo uns ataques de fome um pouco perigosos e como estava sozinha em casa, fiquei com medo de devorar o clafoutis todinho. então assei doze muffins. e comi só dois. (depois comi mais dois, e mais um, mas o resto eu consegui dividir com amigos). a receita original está no Baking Bible, e fiz uma pequena adaptação: usei meia medida de açucar branco e meia de açucar mascavo, clarinho, que deixou os muffins bem dourados. da próxima vez, acho que vou usar menos noz moscada, ou substitui-la por canela, porque meu estômago se incomodou um pouco com o ardido da cobertura (não a ponto de me impedir de comer os muffins, claro…)

ceremu

ceremu2

Muffins de cereja e amêndoas (rende 12 muffins)

Ingredientes:
- 350 g de farinha de trigo
- 1 xícara de açucar (ou 1/ de açucar branco e 1/2 de açucar mascavo)
- 2 colheres de sopa de fermento em pó
- 1/4 de colher de chá de sal
- 2 ovos batidos
- 1/2 xícara de leite (eu usei quase uma xícara)
- 120 de manteiga derretida, à temperatura ambiente
- 1 colher de chá de essência de amêndoas
- 2 xícaras de cerejas frescas, picadas grosseiramente e sem o caroço

Cobertura:
- 2 colheres de sopa de açucar
- 1/ 4 de colher de chá de noz moscada (se ralar na hora, use bem menos)
- 2 colheres de sopa de amêndoas em lascas

Preparo:
Preaqueça o forno a 180 graus e unte forminhas de muffins (se forem de silicone ou de papel, não precisa untar).

Em uma tigla, misture a farinha peneirada, o açucar, fermento e sal. Em outro recipiente, misture os ovos, o leite, a manteiga derretida e a essência de amêndoas. Junte tudo à mistura de farinha e mexa. Se a massa estiver muito seca, coloque mais leite. Misture as cerejas, distribua a massa nas forminhas de muffins.

Misture os ingredientes da cobertura e salpique-os sobre a massa. Asse os muffins por 30 minutos.

amor se comemora com aspargos

04 de março, 2010 

pra mim, esse é um ensinamento de família que eu pretendo perpetuar.

aspargos

comi aspargos pela primeira vez na sopa do jantar de 50 anos de bodas dos meus avós, em um clube chiquíssimo em Joinville. eu tinha cinco ou seis anos, era uma criança birrenta e me lembro de poucas coisas daquela noite - na verdade duas, do meu vestido de veludo florido (que eu cismei que me apertava o pescoço) e da sopa de aspargos (que eu provei rodeada por estranhos, pessoas mais velhas que eu logo tachei de chatas, e sobre a sopa eu também devo ter feito alguma crítica).

muitos anos depois, os aspargos foram introduzidos e passaram a ser presença constante nas ceias de Natal em casa. meu pai fazia questão de comê-los todo ano. ele gostava de ter por perto algumas coisas que lembrassem a vida em Joinville, como roseiras no quintal, e acho que os aspargos também faziam parte de uma tentativa de rememorar momentos bons. eu, nesses Natais, já tinha deixado de ser tão birrenta e já me afeiçoara aos aspargos. hoje, gosto cada vez mais deles, e quando encontro uma bandeja à venda, fico tentada a trazer pra casa. mas sempre penso que aspargo é item de festa, e fico esperando o melhor momento de prepará-los.

essa semana, encontrei a ocasião certa. segunda-feira comemoramos cinco anos de início de namoro, e achei que uma sopa de aspargos e feijão branco seria o prato ideal prum jantar de celebração e conforto. a receita está na minha “bíblia dos dias cinzas”, o livro mais recente da Heloísa Bacellar. o preparo é rápido, simples e o resultado é incrível - uma sopa bem cremosa, com gosto de aspargos e um toque picante de salsão. pronto: espero repeti-la daqui a 45 anos…

semana dos restaurantes

01 de março, 2010 

e começou a maratona….a maratona das filas de espera, dos sorvetes de creme, das panna cottas e das tarte tatin (e eu ía esquecendo dos brigadeiros de colher e crèmes brulées). e a maratona das surpresas com a conta? e dos garçons antipáticos porque você só está ali por causa do preço camarada? afe.

eu fico com a maior preguiça do mundo a cada edição da Restaurant Week. mas acabo cedendo a uma ou outra oportunidade, além de repetir a ida semestral ao Ak. esse ano, já fiz a minha lista: Obá, Ak, Tanger e Vinheria Percussi. e pronto, assunto encerrado.

(PS: gostei do cardápio do Le French Bazar, mas depois de uma overdose de refeições por conta de um trabalho acadêmico, prefiro evitá-lo. e pra quem nunca foi, nem ouviu falar, vá ao Otto Bistrot. pra mim, é o bistrô mais fofo da cidade - e a tarte tatin pode não ser original, mas é ultra perfumada…)