férias

30 de abril, 2010 

ufa. acho que fiz tudo o que precisava pra poder viajar tranquilamente. achei um berço decente pro meu filho. pintamos as paredes de casa. as cartilhas foram pra gráfica. comprei uma porta nova, paguei contas, terminei o My life in France. e por falar em livros, acho que o acontecimento mais incrível da semana foi ter conseguido comprar uma cópia do Cozinhar melhor - Biscoitos e bolachas. foram meses de buscas frustrantes em sebos e livrarias virtuais, até que domingo, depois de fazer os biscoitos de água, resolvi entrar mais uma vez na Estante Virtual. pulei de alegria quando vi que UM sebo tinha UM exemplar do livro (em bom estado e a um preço decente). pulei mais quando vi que o sebo fica a cinco quadras do trabalho. segunda-feira corri lá e, para minha supresa, descobri outros exemplares, dessa mesma coleção, que também estavam na minha lista de desejos: Sobremesas, Bolos e Tortas e etc. saí de lá com seis livros debaixo do braço e um sorriso de orelha a orelha. folheei todos e já escolhi algumas receitas e técnicas pra testar - claro, só depois das minhas férias. volto já.

brincando com banha: biscoitos de água com sal grosso

25 de abril, 2010 

vou viajar daqui a sete dias, então já comecei a esvaziar a geladeira. no freezer, encontrei meio quilo de banha, que sobrou de quando fizemos empadinhas, e logo lembrei das receitas de um livro sensacional (Cozinhar melhor - Biscoitos e bolachas) que justamente pediam banha - ok, estava escrito que era possível susbstituir a banha por manteiga, mas me desculpem, banha é banha.

incrivelmente, uma das receitas era de biscoitos de água e sal. achei estranho: como é que um biscoito assim tão leve, hit de toda dieta de emagrecimento, pode levar banha? bem, lá em Oxford, de onde veio a receita, eles usam banha, mas o livro explica: usa-se bem pouca pra uma quantidade enorme de farinha. resolvi testar. também escolhi uma receita de biscoitos doces, amanteigados, que pedia, aí sim, muita banha, pra acabar de vez com o meu pacote.

decidi começar pelos biscoitos salgados e minha produção parou por aí. não porque seja difícil preparar biscoitos de água e sim porque por mais que minha cabeça continue daquele jeito (super ativa), meu corpo já não aguenta muito esforço. quando engravidei, senti que pela primeira vez, meu corpo mandaria na minha cabeça, e não o contrário. pois bem. depois que eu preparei a massa, abri, cortei (usei cortadores redondos de 5 cm), furei, salpiquei de sal grosso e parmesão (atenção: em metade deles, só sal, na outra, só queijo), marido assumiu o comando do forno enquanto eu fiquei jogada em uma cadeira, suando, bebendo litros de água e gemendo de dor nas costas.

os biscoitos levam no máximo 15 minutos pra assar. precisam esfriar bem. o livro diz que ficam ótimos com patês e queijos, mas a gente comeu purinhos, com uma limonada geladíssima, pra combater o calor. e atenção pessoal da firma: amanhã à tarde não precisaremos comer aquele bolo-que-ninguém-sabe-do-que-é, porque já enchi um tupperware com esses biscoitinhos.

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Biscoitos de água de Oxford (cerca de 50 biscoitos de 5 cm de diâmetro)

Ingredientes:
- 500 g de farinha de trigo
- 1 colher de chá de sal
- 2 colheres de chá de fermento químico em pó
- 120 g de banha, gelada
- água
- sal grosso

Preparo:

Preaqueça o forno a 180 graus. Unte com manteiga duas assadeiras baixas.
Em uma tigela, peneire a farinha com o sal e o fermento.
Corte a banha gelada em pedacinhos e adicione à farinha, misturando bem com as pontas dos dedos, até esfregar toda a gordura na farinha e obter uma textura de migalhas grossas. Junto um pouco de água fria para a massa dar liga (eu usei quase meio copo), junte toda a massa com a mão até formar uma bola (se estiver farelenta, mais água nela).
Estenda a massa em uma supefície enfarinhada, até que fique bem fina (3 mm de espessura). Corte a massa em discos e fure com um garfo, salpique-os com sal grosso, sementes de papoula ou queijo ralado. Asse os biscoitos até que que as bordas fiquem ligeiramente douradas (10 a 15 minutos). Deixe esfriarem sobre uma grade.
E fica a dica de Oxford: o livro pede que eles sejam servidos em um cesto forrado com guardanapo!

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macarrão caseiro (e a superação de traumas)

21 de abril, 2010 

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fazer macarrão em casa é fácil, não é mesmo? sempre achei que fosse. passei anos vendo minha mãe fazer massa de macarrão e lasanha em dois minutos, misturando ovo e farinha e abrindo a massa na máquina que herdamos da minha avó. quando eu cresci e comecei a me interessar por cozinha, confesso que nunca me senti atraída pela culinária italiana. mas me aventurei a fazer massas, umas duas ou três vezes. em todas elas, escolhi uma receita complicadíssima e me interessei mais em acertar o prato e colher os louros por conseguir fazer algo tão complexo do que, de fato, entender a técnica por trás da receita. por sorte, me dei bem todas essas vezes. até mesmo no meu almoço de 21 anos, quando eu decidi fazer uma espécie de ravioli tricolor recheado com uma musseline de linguado, que levou horas pra ficar pronto.

mas como a vida tem altos e baixos, no ano passado eu me aventurei a fazer uma massa que nem era tão complicada assim e me lasquei. atrasei todo o almoço de Páscoa e não fiquei nada satisfeita com o resultado: uma massa grossa, que demorou muito pra cozinhar e foi servida com um recheio sem graça. depois desse dia, eu nunca mais fiz macarrão em casa - digo, massa de macarrão. até que nessa semana me deu uma vontade de tentar de novo. na verdade, nessas últimas semanas de Senac, eu fiz massa algumas vezes, e consegui ficar mais atenta a algumas coisas, como sovar a massa até ela ficar macia, não usar nada além de ovos e farinha de trigo, e abrir beeeeeem pra ela não ficar grossa quando cozinhar.

então decidi: no meu retorno à cozinha eu não faria nada super ousado (massa com ervas, massa com beterraba, coisas assim), pra poder prestar mais atenção na técnica. e escolheria um molho simples, gostoso, leve, natural, do jeito que eu gosto - e não do jeito que fizemos nas aulas, com frutos do mar, açafrão, muita manteiga, linguiças, essas coisas. inspirada por esta receita, comprei cogumelos de Paris, uma abobrinha, uma cebola, manjericão fresco e tomate cereja, mais ovos e farinha de trigo. usei 300 g de farinha e 3 ovos grandes, misturei bem, sovei (até não aguentar mais e pedir ajuda pro marido), deixei descansar na geladeira por meia hora e abri no rolo mesmo, sobre a mesa enfarinhada (até não aguentar mais e pedir ajuda pro marido).

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enquanto a água do macarrão fervia, fiz molho de tomate, cozinhei a abobrinha em cubos e depois o cogumelo. servi a massa cozida com o molho e os legumes e queijo parmesão ralado. e o trauma foi embora! claro que ainda há ajustes a fazer: abrir a massa até que fique realmente super fina e cortar em tiras bem finas mesmo, porque quando cozinha, a massa engrossa. mas acho que foi um bom recomeço e pelo ânimo do meu ajudante, logo nos aventuraremos em receitas mais complexas.

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Macarrão caseiro com molho idem (serve 3 pessoas)

Ingredientes para a massa:
- 3 ovos grandes frescos
- 300 g de farinha de trigo

Ingredientes para o molho de tomate:
- 1 cebola bem picada
- 2 dentes de alho bem picados
- uma lata de tomates pelados
- pimenta-do-reino e pimenta chili a gosto
- 10 tomates cereja cortados ao meio
- folhas de manjericão fresco

Legumes:
- 1 abobrinha italiana cortada em cubos
- 100 g de cogumelos de Paris frescos (cortados ao meio se forem muito grandes)

Preparo da massa:
Coloque a farinha em uma tigela, faça um buraco no meio e acrescente os ovos. Misture tudo rapidamente e vá sovando até que a massa fique elástica, lisa e homogênea. Enrole em filme plástico e deixe na geladeira por pelo menos 30 minutos. Abra a massa com a ajuda de um rolo em uma superfície enfarinhada, até ficar super fina. Corte tiras de massa e cozinhe em água fervente, com sal, por cerca de 5 minutos (experimente uma: ela tem que estar al dente). Escorra a massa e misture ao molho.

Preparo do molho:
Aqueça um pouco de azeite em uma panela média. Frite a cebola, o alho e acrescente os tomates pelados. Ajuste o sal e a pimenta e cozinhe por 10 minutos, até encorpar. Junte os tomates cereja cortados ao meio e algumas folhas de manjericão fresco, deixe cozinhar até que os tomates murchem um pouco, desligue o fogo.

Preparo dos legumes:
Aqueça um pouco de azeite em uma frigideira pequena, salteie a abobrinha, com um pouco de sal. Quando ela estiver macia acrescente o cogumelo, cozinhe até ele ficar macio (é super rápido), ajuste o sal e sirva sobre o macarrão.

pendurando as chuteiras

18 de abril, 2010 

foi difícil decidir. quer dizer, a decisão já estava tomada fazia tempo: desde que engravidei, eu sabia que não conseguiria ir até o fim do curso de Cozinheiro Chefe Internacional. a questão era quando trancar: depois de mediterrânea, asiática, italiana, mexicana ou confeitaria? meu coração me dizia pra tentar ir até o fim da confeitaria, mas a cada vez que eu vestia o uniforme e percebia como estava ficando mais difícil caber na calça, amarrar o avental na cintura etc, ficava mas claro que eu teria que parar antes. e depois de uma maratona de 12 aulas de cozinha italiana, bastante intensas e decepcionantes, eu percebi que a hora tinha chegado. até pensei em fazer mexicana :são só cinco aulas, o diabinho sussurrava na minha orelha esquerda, mas o anjo gritou na minha orelha direita: chega!

dolma

então essa semana que passou foi minha primeira semana sem aulas. sem precisar dirigir quase uma hora pela marginal Pinheiros congestionada, sem precisar fazer malabarismos pra caber na calça, sem precisar me esforçar além do que eu estou podendo, sem chegar em casa à meia-noite pra ter que acordar às sete e pouco no dia seguinte…aproveitei pra dar um gás no trabalho, colocar a vida social e familiar mais ou menos em dia, e descansar. por isso, nessa semana, eu não cozinhei NADA. só acendi o fogo pra esquentar água pro chá. e foi bom assim. hoje, acho que vou fazer iogurte caseiro, que há muito tempo eu não faço. e só.

mas logo eu volto pra minha cozinha, e prometo rechear este blog de coisas gostosas. só precisava de uns dias pra descansar o corpo e esvaziar a cabeça… (e já estou ficando com saudade e vontade de cozinhar!)

muffins: receita (e roupa) nova

11 de abril, 2010 

continuo sem o tempo que eu gostaria pra fazer as coisas que eu gostaria. mesmo aos finais de semana, tenho dedicado a maior parte do tempo ao trabalho, correndo pra terminar a edição/produção de cinco cartilhas sobre prevenção da violência entre jovens. acho que finalmente estou na reta final, o que significa que logo mais (daqui a uns 10 dias) vou ter muitas horas pra fazer coisas gostosas, inclusive inventar e testar receitas mais complexas do que muffins (e tirar férias!!!!!).

mas por enquanto, se é só isso que eu posso cozinhar em casa, é isso que eu vou fazer, sem crise. ontem à noite, lá pelas onze, depois de ter terminado um texto introdutório complexo e lido uns 20 textos pra ver o que entra ou não em uma cartilha, decidi fazer muffins pro café da manhã de hoje. a geladeira e a despensa andam com poucas opções de ingredientes, então eu não poderia fazer nada muito complexo ou extravagante. e no fundo, o que eu queria era um muffin com farinha de trigo integral, passas, pouco açúcar, talvez aveia - pra compensar o tanto de doces e besteiras que tenho comido na tentativa de vencer o cansaço.

no Baking Bible, encontrei uma receita de golden medley muffins, ou seja, muffins que levam um pouco de tudo: de abobrinha ralada a nozes, passando por coco seco, cenoura e maçã (também raladas), mel, aveia, farinha de trigo integral e cardamomo em pó. eu tinha quase todos os ingredientes necessários, mas tive que fazer algumas adaptações: caiu a abobrinha, substituí mel por melado e etc (e fiz metade da receita). aproveitei pra estrear forminhas de muffins decoradas que eu comprei há quase um ano na Central do Sabor - assim, eu daria um ar de festa a um domingo meio sem graça. os muffins ficaram bem saborosos, úmidos, doces do jeito que eu gosto, com surpresas a cada mordida: um pedaço de noz, uma uva passa, um pedaço maior de cenoura ralada, coco…só as forminhas é que ficaram meio feias depois que saíram do forno, escureceram e mal dá pra ver que são listradas de várias cores. mas tudo bem, a próxima receita de muffins eu testo com forminhas de bolas coloridas, quem sabe o resultado não sai melhor?

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Muffins integrais com um pouco de tudo (12 muffins médios e 3 mini muffins)

Ingredientes:

1o recipiente:
- 1/2 xícara de farinha de trigo
- 1/2 xícara de farinha de trigo integral
- 1 colher de chá de bicarbonato de sódio
- 1 colher de chá de canela em pó
- 1/4 de colher de chá de pimenta síria
- 1/4 de colher de chá de gengibre em pó
- 1/4 de colher de chá de cardamomo em pó
- 1/4 de colher de chá de sal
- 1/4 de xícara de aveia em flocos

2o recipiente:
- 1/2 xícara de uvas passas escuras
- 1 xícara de maçã ralada, com casca, no ralador grosso
- 1/2 xícara de cenoura ralada (fino ou grosso, tanto faz)
- 1/4 xícara de coco seco
- 1/4 xícara de nozes picadas

3o recipiente:
- 1/4 xpicara de óleo (usei de canola)
- 1/2 xícara de melado de cana (ou mel)
- 1 ovo, batido
- 1/2 colher de chá de essência de baunilha

Preparo:
- Preaqueça o forno a 180 graus, unte formas de muffins (se for usar de papel, não precisa).
Você vai precisar de 3 recipientes, onde vai misturar separadamente, os ingredientes de cada um.
- Peneire todos os ingredientes (menos a aveia) do 1o recipiente, misture bem e adicione a aveia.
- Misture todos os ingredientes do 2o repiciente.
- Misture todos os ingredientes do 3o recipiente.
- Misture o conteúdo do 3o recipiente ao 1o recipinete e mexa até ficar uma mistura homogênea. Adicione os ingredientes do 2o recipente, misture rapidamente e coloque a massa nas forminhas de muffin (quase até o topo, pois a massa não cresce muito).
- Asse por 30 minutos, até que ao enfiar um palito no centro de um muffin, ele saia sequinho.

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PS: Zazá, minha companheira de cozinha, morreu na 4a à noite. aos poucos, a Nina vai ocupando o lugar dela (só falta aprender a entrar no armário de panelas, na geladeira, andar sobre o fogão quente, cheirar o sal, caçar bolas de papel alumínio, mordiscar o alecrim…)