nós amamos feijão de corda

10 de julho, 2009 

corda

Depois de ter declarado aqui o meu amor pelo arroz basmati, gostaria de deixar registrado todo o meu apreço pelo feijão de corda. Apreço não, amor! Amo sua cor, textura, cheiro e gosto. E adivinha só? Eu nunca tinha feito feijão de corda em casa. Até que hoje decidi fazer um almoço decente pra mim e pra Fátima, com arroz, feijão, carne e verdura. Abri a despensa e dei de cara com um saquinho de feijões de corda, comprado há algumas semanas. Avisei a Fátima que pretendia prepará-los (já imaginando que ela teria alguma dica preciosa) e ela fez uma cara de preocupação: “Você já comeu esse feijão? É tão forte!” Respondi que ele é um dos meus prediletos e ela repetiu “ é tão forte”, o que me fez logo imaginar se ela não estaria querendo me dizer que não gosta de feijão de corda. Retruquei num tom tão animado que soou artificial: “ah, eu aaaaaaaaaaamo feijão de corda” e me pus a prepará-los. Sempre seguindo as orientações da Fátima, porque a última vez em que fiz feijões (fora em sopas) foi, aham, há mais ou menos um ano e meio atrás. No fundo, eu temia ser a única em casa a comê-los (Fátima não gosta, marido foi trabalhar, gatas preferem ração, mamão ou cenoura), mas não desisti da empreitada e muito menos da quantidade (uma xícara).

Quando os feijões já estavam cozinhando na panela de pressão (junto com uma lata de leite condensado, pra dar um ar bem caseiro à coisa), a Fátima desligou o aspirador e gritou da sala: “Que cheiro bom! Eu aaaaaaaaaamo esse cheiro”. E ela não se referia ao doce de leite! Aproveitei a deixa pra perguntar se ela gosta ou não de feijão de corda, e ela me contou que passou quase 30 anos sem comê-lo, porque quando era criança, ainda lá no interior de Pernambuco, se recusou a comer um prato e levou uma surra do pai. Só voltou a provar feijão de corda esse ano, na casa da irmã. “Meu, não acredito que fiquei um tempão sem comer essa coisa tão boa!”

O feijão demorou mais pra cozinhar do que ela previra: acho que foram uns 25 minutos na pressão até que estivesse molinho. Isso porque, segundo a Fátima, eu deixei de molho em água fria- se deixar em água morna, cozinha mais rápido. Feijão pronto, desliguei o fogo, fritei a cebola e pensei em colocar um pouco de lingüiça. “O que cê acha, Fátima, coloco ou não coloco?”Ah, coloca, vai ficar da hora”. Piquei uma lingüiça calabresa, fritei, misturei à cebola e depois misturei tudo ao feijão. Prato bonito, cheiroso e muito saboroso (até dispensei a verdura). O veredito da Fátima foi sincero: “Ligia, tá o melhor almoço que você já fez, muito bom mesmo”. Depois dividimos um pratinho de doce de leite, e combinei que sempre que der, ela vai comer feijão de corda aqui em casa.

1 Comentário

  1. Ah Ligia… convide também os seus leitores!
    Não seja má!
    Parabéns pela narrativa.

    Comentário por Abreu — 27 de maio de 2011 @ 21:57

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