São Valentim na cozinha

14 de fevereiro, 2010 

Eu não costumo ficar ligada nas datas comerciais, tipo dia dos namorados, e muito menos nas datas importadas (afinal, hoje não é dia dos namorados no Brasil). Mas quando me dei conta de que tinha preparado gelatinas em formato de coração pra comer no almoço de hoje, achei uma feliz coincidência. E fazendo as contas, percebi que hoje a gente faz 11 meses de casados, então tudo bem fazer do almoço dominical uma comemoração mais romântica.

valentim

Essa gelatina tem sabor de canela e pedaços de pêra e uva. Peguei a receita num exemplar da La Cucina Italiana dedicado a receitas de verão. Sorvetes, gelatinas, sopas frias…tudo simples e muito saboroso. A revista estava na minha cozinha já fazia algumas semanas, porque eu andava paquerando uns sorvetes – e disposta a prepará-los mesmo sem sorveteira (já que a minha não funciona no meu freezer meia boca). Mas ando com uma preguiça sem fim, e acabei me encantando mais pela simplicidade das gelatinas. Só precisei fazer uma calda de açúcar, água e canela e picar uma pêra e algumas uvas – e hidratar e esquentar a gelatina, claro.

E eu gosto tanto das receitas da La Cucina Italiana, que me empolguei pra preparar outra receita dessa mesma edição: uma sopa fria de cenoura, tomate e aipo (que eu substituí por salsão e alho-poró). Com uma sopa fria de entrada e uma gelatina docinha de sobremesa, só me faltou o prato principal. Resolvi fazer uma tortilla de patatas, uma receita que dá pra duas pessoas. Marido me ajudou a picar as cebolas, descascar as batatas e acompanhou todo o preparo. Depois, dividimos a tortilla ao meio, comemos com uma saladinha e fomos felizes para o resto da tarde.

aula de empadinhas

06 de fevereiro, 2010 

empadi

o sol voltou e me deu uma baita vontade de comer empadinhas - não sei se foi um desejo de grávida, ou capricho de aniversariante. então eu pedi pra minha mãe me ensinar a prepará-las. a primeira lição veio antes mesmo da aula: empadinha gostosa se faz com banha, não com manteiga. a banha foi comprada no supermercado, num pacote de 1 kg. usamos 500g (fizemos duas receitas de massa) e o resto foi congelado.

manus

a massa é simplíssima de fazer; fica pronta em 5 minutos e aí é só preparar as forminhas de empadas (sem untar). enquanto minha mãe cuidava dessa parte, o forno preaqueceu e eu fiz os recheios: palmito com um pouco de tomate (e a água do palmito, pra dar mais sabor) e frango desfiadinho com tomilho e ervilha. daí, recheamos as empadinhas, não esquecendo de colocar uma azeitona sem caroço no meio do recheio.

azeito

pra tampar as empadas, é só pegar um pouco de massa, abrir na palma da pão, colocar sobre a forminha e tirar os excessos. pincelar com uma gema de ovo e levar pro forno: uns 35 minutos, até a massa ficar dourada. a parte mais complicada é tirar as empadinhas das formas, porque a massa é bem quebradiça. mas com calma (é bom esperar a empadinha esfriar), com jeitinho, tudo dá certo. as empadinhas podem ser reaquecidas no forno, ou comidas frias mesmo - nos dois casos, receberam nota 10 dos comensais.

frango

Empadinhas (rende cerca de 30, eu fiz 2 receitas para a quantidade de recheio especificada)

Massa:
- 500 g de farinha
- 250 g de banha
- 125g de manteiga
- 1 ovo
Misturar a farinha, a banha em pedaços e a manteiga e acrescentar o ovo. Se a massa estiver mole demais, acrescentar um pouco de farinha e deixar na geladeira por 30 minutos (coberta com filme plástico).

Azeitona da empada:
- calcule uma azeitona pequena e sem caroço pra cada empada (eu usei azeitonas petas)

Recheio de palmito:
- 400 g palmito em conserva bem picado
- 1 cebola bem picada
- 3 tomates bem maduros sem pele nem sementes, picados
- 1 colher de sopa de salsinha e cebolinha bem picadas
- 3 colheres de sopa de farinha de trigo
- água do palmito em conserva
- 1/ 2 xícara de leite
- sal e pimenta do reino a gosto
Numa panela, aquecça um pouco de azeite e fritar as cebolas. Quando estiverem transparentes, acrescente o tomate, o palmito e misture bem. Adicione a água do palmito, teste o sal e coloque a farinha misturada no leite. Mexa até que a mistura fique encorpada. Acrescente a salsinha e a cebolinha, corrija o tempero, tire do fogo e deixe esfriar.

Recheio de frango:
- 1 peito de frango cozido na palena de prssão com 1 cebol, louro, tomilho e água
- 1 cebola bem picada
- 1/2 lata de ervilha
- 3 colheres de sopa de farinha de trigo
- 1 xícara de leite
- sal e pimenta do reino e noz moscada a gosto
Desfie o frango cozido e misture ao molhinho que se formou na panela de pressão. Numa panela, aqueça um pouco de azeite e frite as cebolas. Quando estiverem transparentes, acrescete o frango e a ervilha e misture bem. Adicione a farinha miasturada no leite. Mexa até que a mistura fique encorpada. Corrija o tempero, tire do fogo e deixe esfriar.

Preparo das empadinhas:
Com as mãos, pegue um pouco da massa e vá forrnado as forminhas - não precisa ficar muito grossa, o sfucinete para a amssa não quebrar. Coloque uma colher de chá do recheio e a azeitona, pegue m pouco de massa, abra na palma da mão e faça uma tampa redonda e coloque sobre a empada. Corte os excessos e peincele com gema de ovo. Asse as empadas em forno praquecido a 250 graus por cerca de 35 minuto, até que estejam douradas.

nós amamos feijão de corda

10 de julho, 2009 

corda

Depois de ter declarado aqui o meu amor pelo arroz basmati, gostaria de deixar registrado todo o meu apreço pelo feijão de corda. Apreço não, amor! Amo sua cor, textura, cheiro e gosto. E adivinha só? Eu nunca tinha feito feijão de corda em casa. Até que hoje decidi fazer um almoço decente pra mim e pra Fátima, com arroz, feijão, carne e verdura. Abri a despensa e dei de cara com um saquinho de feijões de corda, comprado há algumas semanas. Avisei a Fátima que pretendia prepará-los (já imaginando que ela teria alguma dica preciosa) e ela fez uma cara de preocupação: “Você já comeu esse feijão? É tão forte!” Respondi que ele é um dos meus prediletos e ela repetiu “ é tão forte”, o que me fez logo imaginar se ela não estaria querendo me dizer que não gosta de feijão de corda. Retruquei num tom tão animado que soou artificial: “ah, eu aaaaaaaaaaamo feijão de corda” e me pus a prepará-los. Sempre seguindo as orientações da Fátima, porque a última vez em que fiz feijões (fora em sopas) foi, aham, há mais ou menos um ano e meio atrás. No fundo, eu temia ser a única em casa a comê-los (Fátima não gosta, marido foi trabalhar, gatas preferem ração, mamão ou cenoura), mas não desisti da empreitada e muito menos da quantidade (uma xícara).

Quando os feijões já estavam cozinhando na panela de pressão (junto com uma lata de leite condensado, pra dar um ar bem caseiro à coisa), a Fátima desligou o aspirador e gritou da sala: “Que cheiro bom! Eu aaaaaaaaaamo esse cheiro”. E ela não se referia ao doce de leite! Aproveitei a deixa pra perguntar se ela gosta ou não de feijão de corda, e ela me contou que passou quase 30 anos sem comê-lo, porque quando era criança, ainda lá no interior de Pernambuco, se recusou a comer um prato e levou uma surra do pai. Só voltou a provar feijão de corda esse ano, na casa da irmã. “Meu, não acredito que fiquei um tempão sem comer essa coisa tão boa!”

O feijão demorou mais pra cozinhar do que ela previra: acho que foram uns 25 minutos na pressão até que estivesse molinho. Isso porque, segundo a Fátima, eu deixei de molho em água fria- se deixar em água morna, cozinha mais rápido. Feijão pronto, desliguei o fogo, fritei a cebola e pensei em colocar um pouco de lingüiça. “O que cê acha, Fátima, coloco ou não coloco?”Ah, coloca, vai ficar da hora”. Piquei uma lingüiça calabresa, fritei, misturei à cebola e depois misturei tudo ao feijão. Prato bonito, cheiroso e muito saboroso (até dispensei a verdura). O veredito da Fátima foi sincero: “Ligia, tá o melhor almoço que você já fez, muito bom mesmo”. Depois dividimos um pratinho de doce de leite, e combinei que sempre que der, ela vai comer feijão de corda aqui em casa.

par perfeito: suflê de batatas e sopa levíssima de abobrinhas

10 de junho, 2009 

perfeito

uau! batemos mais um recorde de congestionamento: quase 300 km de vias paradas. mais de 50 acidentes e um aviso em alguns sites: “não saia de carro agora”. eu, felizmente, vim pra casa mais cedo e quando começaram a publicar as fotos do caos, já estava sentada nessa mesma cadeira, agradecendo aos céus por poder trabalhar daqui e tomando uma caneca de chá muito quente.

mas essa vida mansa só começou depois que voltei um loooongo rolê de mais de uma hora e meia (só ida) da Vila Madalena até o Jaçanã, pra fazer uma entrevista que não tenho certeza que eu consegui gravar e que foi, hm, mais ou menos proveitosa. e que me obrigou a almoçar naquela-rede-de-lanchonetes-americana-cheia-de-gordura-trans. no meu caminho de volta, comecei a pensar no que fazer para o jantar. sopa, claro. fazia dias que eu estava planejando preparar a sopa de abobrinhas da minha mãe, levíssima, verdíssima e perfumadíssima. como ela é de fato muito leve, eu até tinha comprado um pãozinho e um queijinho. mas eles acabaram muito antes da sopa se materializar.

abri a geladeira e encontrei muitas batatas, muitas mesmo. daquelas pequenas de conserva, das grandes rosadas e das amarelas também. e batata doce roxa. pensei em fazer um purê ou uma espécie de bolinho, até decidir por um suflê de batata doce roxa. mas como todas as receitas de suflê de batata doce roxa que eu encontrei são doces (faz sentido), resolvi simplificar: parti pro suflê de batatas que eu tinha visto . lindo, fácil, ótimo.

enquanto as batatas cozinhavam, terminei meu trabalho. enquanto o suflê assava, preparei a sopa. os dois ficaram prontos ao mesmo tempo, quentinhos, cheirosos. quando já estava sentando, marido sentiu falta de uma folhinha na sopa. pronto, duas folhas de sálvia fazendo par com as sementes de gergelim, e estava tudo perfeito.

sopas

Sopa leve de abobrinhas (para 4 pessoas)

Ingredientes:
- 15 ml de azeite
- 1 cebola bem picadinha
- 4 abobrinhas italianas médias lavadas e cortadas em cubos
- 750 ml de água ou de caldo de legumes (caseiro, faz favor)
- sal e pimenta-do-reino a gosto
- sementes de gergelim preto para decorar

Preparo:
Numa panela média, aqueça o azeita e frite a cebola. Antes que elas estejam douradas, acrescente as abobrinhas, mexa e adiciona a água ou o caldo. Tampe e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos, até que as abobrinhas estejam bem macias. Retire do fogo, bata no liquidificador, leve de volta ao fogo até ferver. Tempere com sal e pimenta-do-reino (e algum outro tempero de sua preferência, como folhas de sálvia, alecrim, salsão…), decore com o gergelim e sirva.

definitivamente, meu arroz preferido: basmati

20 de abril, 2009 

eu não sou fã de arroz, a não ser de arroz doce. quando deixei a casa dos meus pais pra dividir um apartamento com amigas, na primeira ida ao supermercado, uma delas se espantou porque eu nem estava planejando comprar arroz e feijão. na sua maginação, teríamos sempre na geladeira um tupperware com arroz e outro com feijão, prontos pra acompanhar um bifinho frito na hora. na minha imaginação, eu passaria noites e finais de semana testando todas as receitas dos meus livros de culinária, que nunca acompanhariam um arrozinho, fosse ele de tupperware ou feito na hora.

a verdade é que, além de não gostar de arroz, eu nunca soube fazer arroz. e nunca fui cobrada por isso, porque nos anos em que morei com os amigos, distraí a atenção de todos com ratatouilles perfumadas, sopas confortantes, lasanhas exóticas e a famosíssima torta grega de abobrinha. diante de pratos bem mais complexos do que um simpes arrozinho, não passou pela cabeça de ninguém duvidar da minha capacidade de fazer arroz.

até que eu fui morar com o marido. para a minha sorte, ele andava numa onda tão natureba quanto eu e ficava feliz da vida de comer arroz integral - que além de ser muito mais saúdável, é bem mais fácil de preparar. até que um dia enjoamos, os dois, da granola matinal e do arroz integral de quase todas as refeições. e compramos pão, requeijão e um saco de arroz branco. pra minha sorte, de novo, o marido estava com muita vontade de cozinhar e vivia pedindo dicas para os outros. perguntou para a mãe dele e logo descobriu como é fácil fazer arroz branco. quer dizer, fácil pra ele. porque o meu arroz branco é de chorar de tão ruim. então aqui em casa ficamos assim: só tem arroz branco quando ele faz. se é a minha vez de preparar a comida, invento logo um outro acompanhamento (invariavelmente, quinua, couscous ou batatas), ou apelo pro arroz integral.

mas e o basmati, onde é que entra? ele já andara rondando meus pensamentos há alguns anos, quando me empolguei com uns livrinhos de receitas que eram vendidos junto com um jornal (hm hm, aqui não mencionamos nomes de pessoas ou marcas) e decidi fazer um almoço de aniversário com pratos indianos e tailandeses. preparei uma receita de arroz do livro sobre a Índia, mas como não encontrei o basmati, comprei um arroz jasmin, tailandês, super pefumado mas que empapou todo. e toda vez que eu queria fazer um arroz diferente, fazia o jasmin, perfumadinho, empapadinho, ou, se o bolso estivesse mais cheio, partia pro arroz selvagem (66 reais o quilo, dá pra acreditar?). e torcia pra irmã me trazer da Malásia, junto com os temperos e molhos e misturas, um pouquinho de arroz basmati.

esse ano, como eu precisava muito que ela me trouxesse umas sementes cuja venda aqui foi proibida recentemente, desencanei de pedir o basmati. mas tive a sorte e o prazer de encontrá-lo em duas ocasiões: numa aula sobre acompanhamentos, onde aprendemos a preparar o basmati ao estilo pilaf (primeiro frito e depois cozido no forno) e logo em seguida numa loja de importados na Paula Souza. atenção: eu sei que tem basmati aos montes no empório Santa Luzia, mas sinto arrepios de pisar num lugar tão exclusivo. sei também que tem basmati da Casino, mas ele vem numa caixa de papel, sem o charme dos saquinhos de arroz indianos. por isso logo que vi o saquinho na tal loja da Paula Souza, não hesitei. comprei, trouxe pra casa e fiquei esperando uma grande ocasião pra testar o basmati.

hoje, véspera de feriado e ponte no trabalho, meio gripada e disposta a passar o dia de pijama arrumando com a faxineira as gavetas e prateleiras da casa, decidi que era uma grande ocasião. fiz o basmati ao modo pilaf, ou seja, fritei meia cebola bem picadinha com uma colher de sopa de manteiga, joguei uma xícara de arroz beeeeeeem lavado, deixei fritar um pouco, jogeui um pouco de sal, coloquei 2 folhas de louro fresco, 600 ml de água e levei ao fogo até ferver. ferveu, tampei a panela e deixei cozinhar no forno preaquecido (180 graus) por uns 20 minutos. tirei do forno, destampei, mexi com o garfo e comi um arroz leve, soltinho e suave, acompanhado de picadinho de carne e brócolis no vapor.

basmati

e decidi que o basmati vai ser o arroz do dia-a-dia. tanto é que já ganhou um lugar na despensa…e a sacolinha já foi pro armário das bolsas.

PS: se for comprar um basmati com essa mesma embalagem, muita atenção na hora de abri-la: o arroz fica acondicionado em um saco plástico que parece estar fechado mas não está e se você fizer qualquer movimento mais brusco, verá centenas de grãos de arroz se espalhando pela sua cozinha em questão de segundos