babaganouch fácil e incrivelmente bom

01 de março, 2011 

eu tenho quase uma centena de livros de cozinha, mas não abro a maioria deles pra cozinhar no dia-a-dia. tirando o Soup bible que é uma fonte de inspiração quase que diária no inverno, e o Baking da Dorie Greenspan pra cafés da manhã caprichados quando não estou de dieta, meus outros livros só são consultados em ocasiões especiais - jantares românticos, almoços festivos, lanches com os amigos e etc. mas desde que eu comprei o novo livro da Rita Lobo - Panelinha, receitas que funcionam, essa história mudou: o livro, que é um livrão, não sai da minha cozinha. é que com a chegada do Heitor, a rotina doméstica mudou muito. agora temos uma babá de 2a a 6a, faxineira uma vez por semana, marido que trabalha em casa e eu que almoço por aqui quando dá. ou seja, nosso lar tem que ter comida de verdade todo dia! só que eu tenho um repertório de “comidas de mãe” bem limitado. passei anos fritando bifes que ficaram duros como pedras, fazendo arroz empapado, feijão sem graça e cozinhando todos os legumes do mesmo jeito, no vapor com um pouquinho de sal e pimenta-do-reino. meus frangos têm gosto de granja, meus omeletes tostam. por isso, dei vivas quando abri este livro e vi que ele seria meu melhor amigo na cozinha.

e de fato, ele salvou a minha cozinha do tédio, com pratos do jeito que eu gosto: comida de verdade, saudável, bem temperada, sem muitas firulas, e ideias bem simples que fazem muita diferença. comecei a deixar os peitos de frango marinando em azeite, suco de limão e ervas uma hora antes de grelhá-los. aprendi uma receita deliciosa de coxas de frango assadas. comprei gengibre e tenho ralado um pouquinho pra temperar os legumes. aprendi a fazer novos molhos pra salada. fiz até ensopadinho de músculo! e, alegria das alegrias, encontrei uma receita de babganouch incrivelmente fácil e deliciosa. porque há alguns anos, eu tentei reproduzir a receita de um outro livrão que eu tenho (The Conran cookbook) e algo deu muito errado. perdi todas as beringelas e fiquei com a ideia de que não valia a pena fazer meu próprio babaganouch, melhor era gastar uns tostões a mais e comprar aquelas latinhas. até que semana passada fez um calor dos diabos e eu fiquei com muita, mas muita vontade de comer babaganouch. mas eu não tinha em casa. e não queria ir até o mercado. e tinha beringelas e tahine em casa. e o livro do Panelinha na cozinha… então dessa vez deu tudo certo. em uma hora, minhas beringelas estavam assadas e macias o suficiente pra virar um purê. em mais cinco minutos (tempo de misturar tudo, colocar e tirar do processador) eu tinha a melhor pasta do mundo. e em mais meia hora, não tinha sobrado mais nada pra contar a história. e olha que no livro, está escrito que a receita serve 4 pessoas! ah, a receita também está disponível no site, só que com salsinha picada, que eu omiti.

babaga

Babaganouch do Panelinha

Ingredientes:
2 berinjelas
1 dente de alho picado
suco de 1 limão
3 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim, encontrada em casas de produtos árabes)
sal a gosto

Preparo:
1. Com um garfo, espete uma berinjela. Ascenda a chama de uma das bocas do fogão e aproxime a berinjela do fogo. À medida que a casca for queimando, vá virando a berinjela para que ela queime por igual. Este procedimento faz com que a berinjela fique com um gostinho de defumada, o que é essencial para a receita. Repita a operação com a outra berinjela.

2. Quando as berinjelas esfriarem, corte-as ao meio no sentido do comprimento e retire toda a polpa com uma colher. Despreze as cascas e transfira a polpa para uma peneira. Deixe escorrer.

2. Numa tigelinha, bata a tahine com o suco de limão até obter uma consistência pastosa. Junte o alho picado, a salsinha, a polpa de berinjela, tempere com sal e misture bem.

3. No processador de alimentos ou no liquidificador, bata a mistura até formar uma pasta lisa. Conserve na geladeira até a hora de servir.

São Valentim na cozinha

14 de fevereiro, 2010 

Eu não costumo ficar ligada nas datas comerciais, tipo dia dos namorados, e muito menos nas datas importadas (afinal, hoje não é dia dos namorados no Brasil). Mas quando me dei conta de que tinha preparado gelatinas em formato de coração pra comer no almoço de hoje, achei uma feliz coincidência. E fazendo as contas, percebi que hoje a gente faz 11 meses de casados, então tudo bem fazer do almoço dominical uma comemoração mais romântica.

valentim

Essa gelatina tem sabor de canela e pedaços de pêra e uva. Peguei a receita num exemplar da La Cucina Italiana dedicado a receitas de verão. Sorvetes, gelatinas, sopas frias…tudo simples e muito saboroso. A revista estava na minha cozinha já fazia algumas semanas, porque eu andava paquerando uns sorvetes – e disposta a prepará-los mesmo sem sorveteira (já que a minha não funciona no meu freezer meia boca). Mas ando com uma preguiça sem fim, e acabei me encantando mais pela simplicidade das gelatinas. Só precisei fazer uma calda de açúcar, água e canela e picar uma pêra e algumas uvas – e hidratar e esquentar a gelatina, claro.

E eu gosto tanto das receitas da La Cucina Italiana, que me empolguei pra preparar outra receita dessa mesma edição: uma sopa fria de cenoura, tomate e aipo (que eu substituí por salsão e alho-poró). Com uma sopa fria de entrada e uma gelatina docinha de sobremesa, só me faltou o prato principal. Resolvi fazer uma tortilla de patatas, uma receita que dá pra duas pessoas. Marido me ajudou a picar as cebolas, descascar as batatas e acompanhou todo o preparo. Depois, dividimos a tortilla ao meio, comemos com uma saladinha e fomos felizes para o resto da tarde.

aula de empadinhas

06 de fevereiro, 2010 

empadi

o sol voltou e me deu uma baita vontade de comer empadinhas - não sei se foi um desejo de grávida, ou capricho de aniversariante. então eu pedi pra minha mãe me ensinar a prepará-las. a primeira lição veio antes mesmo da aula: empadinha gostosa se faz com banha, não com manteiga. a banha foi comprada no supermercado, num pacote de 1 kg. usamos 500g (fizemos duas receitas de massa) e o resto foi congelado.

manus

a massa é simplíssima de fazer; fica pronta em 5 minutos e aí é só preparar as forminhas de empadas (sem untar). enquanto minha mãe cuidava dessa parte, o forno preaqueceu e eu fiz os recheios: palmito com um pouco de tomate (e a água do palmito, pra dar mais sabor) e frango desfiadinho com tomilho e ervilha. daí, recheamos as empadinhas, não esquecendo de colocar uma azeitona sem caroço no meio do recheio.

azeito

pra tampar as empadas, é só pegar um pouco de massa, abrir na palma da pão, colocar sobre a forminha e tirar os excessos. pincelar com uma gema de ovo e levar pro forno: uns 35 minutos, até a massa ficar dourada. a parte mais complicada é tirar as empadinhas das formas, porque a massa é bem quebradiça. mas com calma (é bom esperar a empadinha esfriar), com jeitinho, tudo dá certo. as empadinhas podem ser reaquecidas no forno, ou comidas frias mesmo - nos dois casos, receberam nota 10 dos comensais.

frango

Empadinhas (rende cerca de 30, eu fiz 2 receitas para a quantidade de recheio especificada)

Massa:
- 500 g de farinha
- 250 g de banha
- 125g de manteiga
- 1 ovo
Misturar a farinha, a banha em pedaços e a manteiga e acrescentar o ovo. Se a massa estiver mole demais, acrescentar um pouco de farinha e deixar na geladeira por 30 minutos (coberta com filme plástico).

Azeitona da empada:
- calcule uma azeitona pequena e sem caroço pra cada empada (eu usei azeitonas petas)

Recheio de palmito:
- 400 g palmito em conserva bem picado
- 1 cebola bem picada
- 3 tomates bem maduros sem pele nem sementes, picados
- 1 colher de sopa de salsinha e cebolinha bem picadas
- 3 colheres de sopa de farinha de trigo
- água do palmito em conserva
- 1/ 2 xícara de leite
- sal e pimenta do reino a gosto
Numa panela, aquecça um pouco de azeite e fritar as cebolas. Quando estiverem transparentes, acrescente o tomate, o palmito e misture bem. Adicione a água do palmito, teste o sal e coloque a farinha misturada no leite. Mexa até que a mistura fique encorpada. Acrescente a salsinha e a cebolinha, corrija o tempero, tire do fogo e deixe esfriar.

Recheio de frango:
- 1 peito de frango cozido na palena de prssão com 1 cebol, louro, tomilho e água
- 1 cebola bem picada
- 1/2 lata de ervilha
- 3 colheres de sopa de farinha de trigo
- 1 xícara de leite
- sal e pimenta do reino e noz moscada a gosto
Desfie o frango cozido e misture ao molhinho que se formou na panela de pressão. Numa panela, aqueça um pouco de azeite e frite as cebolas. Quando estiverem transparentes, acrescete o frango e a ervilha e misture bem. Adicione a farinha miasturada no leite. Mexa até que a mistura fique encorpada. Corrija o tempero, tire do fogo e deixe esfriar.

Preparo das empadinhas:
Com as mãos, pegue um pouco da massa e vá forrnado as forminhas - não precisa ficar muito grossa, o sfucinete para a amssa não quebrar. Coloque uma colher de chá do recheio e a azeitona, pegue m pouco de massa, abra na palma da mão e faça uma tampa redonda e coloque sobre a empada. Corte os excessos e peincele com gema de ovo. Asse as empadas em forno praquecido a 250 graus por cerca de 35 minuto, até que estejam douradas.

nós amamos feijão de corda

10 de julho, 2009 

corda

Depois de ter declarado aqui o meu amor pelo arroz basmati, gostaria de deixar registrado todo o meu apreço pelo feijão de corda. Apreço não, amor! Amo sua cor, textura, cheiro e gosto. E adivinha só? Eu nunca tinha feito feijão de corda em casa. Até que hoje decidi fazer um almoço decente pra mim e pra Fátima, com arroz, feijão, carne e verdura. Abri a despensa e dei de cara com um saquinho de feijões de corda, comprado há algumas semanas. Avisei a Fátima que pretendia prepará-los (já imaginando que ela teria alguma dica preciosa) e ela fez uma cara de preocupação: “Você já comeu esse feijão? É tão forte!” Respondi que ele é um dos meus prediletos e ela repetiu “ é tão forte”, o que me fez logo imaginar se ela não estaria querendo me dizer que não gosta de feijão de corda. Retruquei num tom tão animado que soou artificial: “ah, eu aaaaaaaaaaamo feijão de corda” e me pus a prepará-los. Sempre seguindo as orientações da Fátima, porque a última vez em que fiz feijões (fora em sopas) foi, aham, há mais ou menos um ano e meio atrás. No fundo, eu temia ser a única em casa a comê-los (Fátima não gosta, marido foi trabalhar, gatas preferem ração, mamão ou cenoura), mas não desisti da empreitada e muito menos da quantidade (uma xícara).

Quando os feijões já estavam cozinhando na panela de pressão (junto com uma lata de leite condensado, pra dar um ar bem caseiro à coisa), a Fátima desligou o aspirador e gritou da sala: “Que cheiro bom! Eu aaaaaaaaaamo esse cheiro”. E ela não se referia ao doce de leite! Aproveitei a deixa pra perguntar se ela gosta ou não de feijão de corda, e ela me contou que passou quase 30 anos sem comê-lo, porque quando era criança, ainda lá no interior de Pernambuco, se recusou a comer um prato e levou uma surra do pai. Só voltou a provar feijão de corda esse ano, na casa da irmã. “Meu, não acredito que fiquei um tempão sem comer essa coisa tão boa!”

O feijão demorou mais pra cozinhar do que ela previra: acho que foram uns 25 minutos na pressão até que estivesse molinho. Isso porque, segundo a Fátima, eu deixei de molho em água fria- se deixar em água morna, cozinha mais rápido. Feijão pronto, desliguei o fogo, fritei a cebola e pensei em colocar um pouco de lingüiça. “O que cê acha, Fátima, coloco ou não coloco?”Ah, coloca, vai ficar da hora”. Piquei uma lingüiça calabresa, fritei, misturei à cebola e depois misturei tudo ao feijão. Prato bonito, cheiroso e muito saboroso (até dispensei a verdura). O veredito da Fátima foi sincero: “Ligia, tá o melhor almoço que você já fez, muito bom mesmo”. Depois dividimos um pratinho de doce de leite, e combinei que sempre que der, ela vai comer feijão de corda aqui em casa.

par perfeito: suflê de batatas e sopa levíssima de abobrinhas

10 de junho, 2009 

perfeito

uau! batemos mais um recorde de congestionamento: quase 300 km de vias paradas. mais de 50 acidentes e um aviso em alguns sites: “não saia de carro agora”. eu, felizmente, vim pra casa mais cedo e quando começaram a publicar as fotos do caos, já estava sentada nessa mesma cadeira, agradecendo aos céus por poder trabalhar daqui e tomando uma caneca de chá muito quente.

mas essa vida mansa só começou depois que voltei um loooongo rolê de mais de uma hora e meia (só ida) da Vila Madalena até o Jaçanã, pra fazer uma entrevista que não tenho certeza que eu consegui gravar e que foi, hm, mais ou menos proveitosa. e que me obrigou a almoçar naquela-rede-de-lanchonetes-americana-cheia-de-gordura-trans. no meu caminho de volta, comecei a pensar no que fazer para o jantar. sopa, claro. fazia dias que eu estava planejando preparar a sopa de abobrinhas da minha mãe, levíssima, verdíssima e perfumadíssima. como ela é de fato muito leve, eu até tinha comprado um pãozinho e um queijinho. mas eles acabaram muito antes da sopa se materializar.

abri a geladeira e encontrei muitas batatas, muitas mesmo. daquelas pequenas de conserva, das grandes rosadas e das amarelas também. e batata doce roxa. pensei em fazer um purê ou uma espécie de bolinho, até decidir por um suflê de batata doce roxa. mas como todas as receitas de suflê de batata doce roxa que eu encontrei são doces (faz sentido), resolvi simplificar: parti pro suflê de batatas que eu tinha visto . lindo, fácil, ótimo.

enquanto as batatas cozinhavam, terminei meu trabalho. enquanto o suflê assava, preparei a sopa. os dois ficaram prontos ao mesmo tempo, quentinhos, cheirosos. quando já estava sentando, marido sentiu falta de uma folhinha na sopa. pronto, duas folhas de sálvia fazendo par com as sementes de gergelim, e estava tudo perfeito.

sopas

Sopa leve de abobrinhas (para 4 pessoas)

Ingredientes:
- 15 ml de azeite
- 1 cebola bem picadinha
- 4 abobrinhas italianas médias lavadas e cortadas em cubos
- 750 ml de água ou de caldo de legumes (caseiro, faz favor)
- sal e pimenta-do-reino a gosto
- sementes de gergelim preto para decorar

Preparo:
Numa panela média, aqueça o azeita e frite a cebola. Antes que elas estejam douradas, acrescente as abobrinhas, mexa e adiciona a água ou o caldo. Tampe e deixe cozinhar por cerca de 15 minutos, até que as abobrinhas estejam bem macias. Retire do fogo, bata no liquidificador, leve de volta ao fogo até ferver. Tempere com sal e pimenta-do-reino (e algum outro tempero de sua preferência, como folhas de sálvia, alecrim, salsão…), decore com o gergelim e sirva.