eu não sou fã de arroz, a não ser de arroz doce. quando deixei a casa dos meus pais pra dividir um apartamento com amigas, na primeira ida ao supermercado, uma delas se espantou porque eu nem estava planejando comprar arroz e feijão. na sua maginação, teríamos sempre na geladeira um tupperware com arroz e outro com feijão, prontos pra acompanhar um bifinho frito na hora. na minha imaginação, eu passaria noites e finais de semana testando todas as receitas dos meus livros de culinária, que nunca acompanhariam um arrozinho, fosse ele de tupperware ou feito na hora.
a verdade é que, além de não gostar de arroz, eu nunca soube fazer arroz. e nunca fui cobrada por isso, porque nos anos em que morei com os amigos, distraí a atenção de todos com ratatouilles perfumadas, sopas confortantes, lasanhas exóticas e a famosíssima torta grega de abobrinha. diante de pratos bem mais complexos do que um simpes arrozinho, não passou pela cabeça de ninguém duvidar da minha capacidade de fazer arroz.
até que eu fui morar com o marido. para a minha sorte, ele andava numa onda tão natureba quanto eu e ficava feliz da vida de comer arroz integral - que além de ser muito mais saúdável, é bem mais fácil de preparar. até que um dia enjoamos, os dois, da granola matinal e do arroz integral de quase todas as refeições. e compramos pão, requeijão e um saco de arroz branco. pra minha sorte, de novo, o marido estava com muita vontade de cozinhar e vivia pedindo dicas para os outros. perguntou para a mãe dele e logo descobriu como é fácil fazer arroz branco. quer dizer, fácil pra ele. porque o meu arroz branco é de chorar de tão ruim. então aqui em casa ficamos assim: só tem arroz branco quando ele faz. se é a minha vez de preparar a comida, invento logo um outro acompanhamento (invariavelmente, quinua, couscous ou batatas), ou apelo pro arroz integral.
mas e o basmati, onde é que entra? ele já andara rondando meus pensamentos há alguns anos, quando me empolguei com uns livrinhos de receitas que eram vendidos junto com um jornal (hm hm, aqui não mencionamos nomes de pessoas ou marcas) e decidi fazer um almoço de aniversário com pratos indianos e tailandeses. preparei uma receita de arroz do livro sobre a Índia, mas como não encontrei o basmati, comprei um arroz jasmin, tailandês, super pefumado mas que empapou todo. e toda vez que eu queria fazer um arroz diferente, fazia o jasmin, perfumadinho, empapadinho, ou, se o bolso estivesse mais cheio, partia pro arroz selvagem (66 reais o quilo, dá pra acreditar?). e torcia pra irmã me trazer da Malásia, junto com os temperos e molhos e misturas, um pouquinho de arroz basmati.
esse ano, como eu precisava muito que ela me trouxesse umas sementes cuja venda aqui foi proibida recentemente, desencanei de pedir o basmati. mas tive a sorte e o prazer de encontrá-lo em duas ocasiões: numa aula sobre acompanhamentos, onde aprendemos a preparar o basmati ao estilo pilaf (primeiro frito e depois cozido no forno) e logo em seguida numa loja de importados na Paula Souza. atenção: eu sei que tem basmati aos montes no empório Santa Luzia, mas sinto arrepios de pisar num lugar tão exclusivo. sei também que tem basmati da Casino, mas ele vem numa caixa de papel, sem o charme dos saquinhos de arroz indianos. por isso logo que vi o saquinho na tal loja da Paula Souza, não hesitei. comprei, trouxe pra casa e fiquei esperando uma grande ocasião pra testar o basmati.
hoje, véspera de feriado e ponte no trabalho, meio gripada e disposta a passar o dia de pijama arrumando com a faxineira as gavetas e prateleiras da casa, decidi que era uma grande ocasião. fiz o basmati ao modo pilaf, ou seja, fritei meia cebola bem picadinha com uma colher de sopa de manteiga, joguei uma xícara de arroz beeeeeeem lavado, deixei fritar um pouco, jogeui um pouco de sal, coloquei 2 folhas de louro fresco, 600 ml de água e levei ao fogo até ferver. ferveu, tampei a panela e deixei cozinhar no forno preaquecido (180 graus) por uns 20 minutos. tirei do forno, destampei, mexi com o garfo e comi um arroz leve, soltinho e suave, acompanhado de picadinho de carne e brócolis no vapor.

e decidi que o basmati vai ser o arroz do dia-a-dia. tanto é que já ganhou um lugar na despensa…e a sacolinha já foi pro armário das bolsas.
PS: se for comprar um basmati com essa mesma embalagem, muita atenção na hora de abri-la: o arroz fica acondicionado em um saco plástico que parece estar fechado mas não está e se você fizer qualquer movimento mais brusco, verá centenas de grãos de arroz se espalhando pela sua cozinha em questão de segundos