eu tenho quase uma centena de livros de cozinha, mas não abro a maioria deles pra cozinhar no dia-a-dia. tirando o Soup bible que é uma fonte de inspiração quase que diária no inverno, e o Baking da Dorie Greenspan pra cafés da manhã caprichados quando não estou de dieta, meus outros livros só são consultados em ocasiões especiais - jantares românticos, almoços festivos, lanches com os amigos e etc. mas desde que eu comprei o novo livro da Rita Lobo - Panelinha, receitas que funcionam, essa história mudou: o livro, que é um livrão, não sai da minha cozinha. é que com a chegada do Heitor, a rotina doméstica mudou muito. agora temos uma babá de 2a a 6a, faxineira uma vez por semana, marido que trabalha em casa e eu que almoço por aqui quando dá. ou seja, nosso lar tem que ter comida de verdade todo dia! só que eu tenho um repertório de “comidas de mãe” bem limitado. passei anos fritando bifes que ficaram duros como pedras, fazendo arroz empapado, feijão sem graça e cozinhando todos os legumes do mesmo jeito, no vapor com um pouquinho de sal e pimenta-do-reino. meus frangos têm gosto de granja, meus omeletes tostam. por isso, dei vivas quando abri este livro e vi que ele seria meu melhor amigo na cozinha.
e de fato, ele salvou a minha cozinha do tédio, com pratos do jeito que eu gosto: comida de verdade, saudável, bem temperada, sem muitas firulas, e ideias bem simples que fazem muita diferença. comecei a deixar os peitos de frango marinando em azeite, suco de limão e ervas uma hora antes de grelhá-los. aprendi uma receita deliciosa de coxas de frango assadas. comprei gengibre e tenho ralado um pouquinho pra temperar os legumes. aprendi a fazer novos molhos pra salada. fiz até ensopadinho de músculo! e, alegria das alegrias, encontrei uma receita de babganouch incrivelmente fácil e deliciosa. porque há alguns anos, eu tentei reproduzir a receita de um outro livrão que eu tenho (The Conran cookbook) e algo deu muito errado. perdi todas as beringelas e fiquei com a ideia de que não valia a pena fazer meu próprio babaganouch, melhor era gastar uns tostões a mais e comprar aquelas latinhas. até que semana passada fez um calor dos diabos e eu fiquei com muita, mas muita vontade de comer babaganouch. mas eu não tinha em casa. e não queria ir até o mercado. e tinha beringelas e tahine em casa. e o livro do Panelinha na cozinha… então dessa vez deu tudo certo. em uma hora, minhas beringelas estavam assadas e macias o suficiente pra virar um purê. em mais cinco minutos (tempo de misturar tudo, colocar e tirar do processador) eu tinha a melhor pasta do mundo. e em mais meia hora, não tinha sobrado mais nada pra contar a história. e olha que no livro, está escrito que a receita serve 4 pessoas! ah, a receita também está disponível no site, só que com salsinha picada, que eu omiti.

Babaganouch do Panelinha
Ingredientes:
2 berinjelas
1 dente de alho picado
suco de 1 limão
3 colheres (sopa) de tahine (pasta de gergelim, encontrada em casas de produtos árabes)
sal a gosto
Preparo:
1. Com um garfo, espete uma berinjela. Ascenda a chama de uma das bocas do fogão e aproxime a berinjela do fogo. À medida que a casca for queimando, vá virando a berinjela para que ela queime por igual. Este procedimento faz com que a berinjela fique com um gostinho de defumada, o que é essencial para a receita. Repita a operação com a outra berinjela.
2. Quando as berinjelas esfriarem, corte-as ao meio no sentido do comprimento e retire toda a polpa com uma colher. Despreze as cascas e transfira a polpa para uma peneira. Deixe escorrer.
2. Numa tigelinha, bata a tahine com o suco de limão até obter uma consistência pastosa. Junte o alho picado, a salsinha, a polpa de berinjela, tempere com sal e misture bem.
3. No processador de alimentos ou no liquidificador, bata a mistura até formar uma pasta lisa. Conserve na geladeira até a hora de servir.








