definitivamente, meu arroz preferido: basmati

20 de abril, 2009 

eu não sou fã de arroz, a não ser de arroz doce. quando deixei a casa dos meus pais pra dividir um apartamento com amigas, na primeira ida ao supermercado, uma delas se espantou porque eu nem estava planejando comprar arroz e feijão. na sua maginação, teríamos sempre na geladeira um tupperware com arroz e outro com feijão, prontos pra acompanhar um bifinho frito na hora. na minha imaginação, eu passaria noites e finais de semana testando todas as receitas dos meus livros de culinária, que nunca acompanhariam um arrozinho, fosse ele de tupperware ou feito na hora.

a verdade é que, além de não gostar de arroz, eu nunca soube fazer arroz. e nunca fui cobrada por isso, porque nos anos em que morei com os amigos, distraí a atenção de todos com ratatouilles perfumadas, sopas confortantes, lasanhas exóticas e a famosíssima torta grega de abobrinha. diante de pratos bem mais complexos do que um simpes arrozinho, não passou pela cabeça de ninguém duvidar da minha capacidade de fazer arroz.

até que eu fui morar com o marido. para a minha sorte, ele andava numa onda tão natureba quanto eu e ficava feliz da vida de comer arroz integral - que além de ser muito mais saúdável, é bem mais fácil de preparar. até que um dia enjoamos, os dois, da granola matinal e do arroz integral de quase todas as refeições. e compramos pão, requeijão e um saco de arroz branco. pra minha sorte, de novo, o marido estava com muita vontade de cozinhar e vivia pedindo dicas para os outros. perguntou para a mãe dele e logo descobriu como é fácil fazer arroz branco. quer dizer, fácil pra ele. porque o meu arroz branco é de chorar de tão ruim. então aqui em casa ficamos assim: só tem arroz branco quando ele faz. se é a minha vez de preparar a comida, invento logo um outro acompanhamento (invariavelmente, quinua, couscous ou batatas), ou apelo pro arroz integral.

mas e o basmati, onde é que entra? ele já andara rondando meus pensamentos há alguns anos, quando me empolguei com uns livrinhos de receitas que eram vendidos junto com um jornal (hm hm, aqui não mencionamos nomes de pessoas ou marcas) e decidi fazer um almoço de aniversário com pratos indianos e tailandeses. preparei uma receita de arroz do livro sobre a Índia, mas como não encontrei o basmati, comprei um arroz jasmin, tailandês, super pefumado mas que empapou todo. e toda vez que eu queria fazer um arroz diferente, fazia o jasmin, perfumadinho, empapadinho, ou, se o bolso estivesse mais cheio, partia pro arroz selvagem (66 reais o quilo, dá pra acreditar?). e torcia pra irmã me trazer da Malásia, junto com os temperos e molhos e misturas, um pouquinho de arroz basmati.

esse ano, como eu precisava muito que ela me trouxesse umas sementes cuja venda aqui foi proibida recentemente, desencanei de pedir o basmati. mas tive a sorte e o prazer de encontrá-lo em duas ocasiões: numa aula sobre acompanhamentos, onde aprendemos a preparar o basmati ao estilo pilaf (primeiro frito e depois cozido no forno) e logo em seguida numa loja de importados na Paula Souza. atenção: eu sei que tem basmati aos montes no empório Santa Luzia, mas sinto arrepios de pisar num lugar tão exclusivo. sei também que tem basmati da Casino, mas ele vem numa caixa de papel, sem o charme dos saquinhos de arroz indianos. por isso logo que vi o saquinho na tal loja da Paula Souza, não hesitei. comprei, trouxe pra casa e fiquei esperando uma grande ocasião pra testar o basmati.

hoje, véspera de feriado e ponte no trabalho, meio gripada e disposta a passar o dia de pijama arrumando com a faxineira as gavetas e prateleiras da casa, decidi que era uma grande ocasião. fiz o basmati ao modo pilaf, ou seja, fritei meia cebola bem picadinha com uma colher de sopa de manteiga, joguei uma xícara de arroz beeeeeeem lavado, deixei fritar um pouco, jogeui um pouco de sal, coloquei 2 folhas de louro fresco, 600 ml de água e levei ao fogo até ferver. ferveu, tampei a panela e deixei cozinhar no forno preaquecido (180 graus) por uns 20 minutos. tirei do forno, destampei, mexi com o garfo e comi um arroz leve, soltinho e suave, acompanhado de picadinho de carne e brócolis no vapor.

basmati

e decidi que o basmati vai ser o arroz do dia-a-dia. tanto é que já ganhou um lugar na despensa…e a sacolinha já foi pro armário das bolsas.

PS: se for comprar um basmati com essa mesma embalagem, muita atenção na hora de abri-la: o arroz fica acondicionado em um saco plástico que parece estar fechado mas não está e se você fizer qualquer movimento mais brusco, verá centenas de grãos de arroz se espalhando pela sua cozinha em questão de segundos

panquecas prontas

12 de abril, 2009 

mesmo tendo pouco tempo pra cozinhar, procuro não encher a despensa e o freezer de alimentos prontos - como tortas e massas congeladas ou misturas instantâneas pra panquecas e bolos. por mais práticos que sejam, não consigo gostar de seu gosto de “burro quando foge”, sabe, aquele gosto que não tem gosto de nada, como a cor das brincadeiras de infância que podia ser qualquer uma e nenhuma ao mesmo tempo?

mas às vezes, muito às vezes mesmo, eu acabo sucumbindo aos alimentos pré-preparados. teve uma noite no ano passado em que estava tão cansada depois do trabalho, que só pensava num jantar rápido e pouco trabalhoso. dei uma passada no supermercado e logo me convenci de que aquela caixa com massa pronta para panquecas seria a melhor opção: bastaria acresentar ovos e leite e em tempo recorde - e sem sujar o liquidificador! - eu teria panquecas deliciosas, que seriam recheadas com uma mistura de ricota e ervas. e do jeito que eu estava animada, já previa que o molho seria ketchup frio.

segui as instruções da embalagem e em poucos minutos eu tinha de fato uma massa que se parecia muito com as massas de panqueca de verdade. aqueci um pouco de gordura na frigideira, despejei um pouco de massa…e ela rapidamente se transformou numa meleca grudenta. abaixei o fogo, aumentei o fogo, mexi na massa e ela continuava melequenta. tirei da frigideira e tentei uma segunda colherada. e aconteceu a mesma coisa! depois de uma terceira tentativa desastrosa, decidi mudar de frigideira. uma tentativa, duas tentativas….e nada! o resto da massa foi pro lixo e acabei jantando mingau de aveia. alguns dias depois, com as energias já restabelecidas, mandei um email pro serviço de atendimento ao consumidor do fabricante da massa, perguntando o que eu tinha feito de errado. a resposta veio curta e grossa, pedindo meu cpf e endereço. alguns dias depois, recebi pelo correio uma caixa de massa de panquecas e um livrinho com receitas. mas como ninguém me disse o que pode ter dado errado se a massa estava dentro do prazo de validade e eu segui as instruções da embalagem, a caixa fechada continua na minha despensa e, juro, ela nunca será aberta, mesmo que seja o único alimento disponível na casa - em casos de extrema necessidade, eu prefiro recorrer à ração das gatas a tentar lidar com uma meleca insossa e desforme!

e quem leu esta história até aqui deve estar se perguntando: mas porque então esse post se chama “panquecas prontas”? ué, porque na semana passada eu fiz panquecas utilizando uma massa instantânea. mas não era uma massa qualquer, tratava-se de uma caixa de Rava Dosa Mix, ou seja, uma mistura pra fazer panquecas indianas (Dosa) de semolina e arroz (Rava) que seriam o acompanhamento perfeito para o supracitado chutney de caqui e as supracitadas coxas de frango, não só porque eu tinha passado uma hora na academia e estava zul de fome e já tinha tido muito trabalho cuidando do frango e precisava de um acompanhamento simples, mas porque tanto meu livro de culinária indiana quanto a embalagem das Rava Dosa garantiam que as panquecas são uma “lip-smacking combination with sambhar and chutney”.

ravadosa

para fazer a massa, eu só precisaria acrescentar água à mistura pronta, esperar cinco minutos e começar a fritar as panquecas. como eu não queria panquecas enormes, preferi fazer na frigideira menor - a que tem tamanho ideal para fritar um ovo. esquentei a frigideira, coloquei um pouco de óleo e despejei massa suficiente pra formar uma panqueca fofinha, que ficasse parecida com a da embalagem.

e ela ficou parecida? longe disso! a receita do meu livro de culinária indiana avisava que eu começaria a acertar o ponto das Rava Dosa a partir da terceira, então não fiquei preocupada ao perceber que as duas primeiras panquecas estavam brancas no meio, queimadas por fora e molengas, com aspecto de cruas. quando a terceira deu errado, instintivamente decidi reduzir a quantidade de massa para obter panquecas mais finas. e as Rava Dosa foram saindo com um aspecto melhor e um gosto interessante de arroz e semente de cominho. não ficaram sensacionais, mas se saíram muito bem com um pouco de chutney e o molhinho do frango.

rava

como eu usei toda a mistura da embalagem e a chance de eu ter outra dessas em mãos é bem remota, decidi que logo mais vou fazer minha própria Rava Dosa, com um pouco menos de cominho e um pouco mais de sal. e bem mais fina, que é como ela deve ser e eu descobri nesse vídeo super instrutivo.

quando três vezes três é igual a um: chutney com 9 frutas

08 de abril, 2009 

A semana passada foi realmente corrida. Muitas horas a mais de trabalho, redução em quase 50% nas horas de sono. Trabalho no sábado até meia-noite, comemoração com os colegas até umas quatro da manhã….e para o domingo, o que eu mais queria era ter acordado depois do meio-dia. Mas se o corpo pedia mais umas centenas de minutos de descanso, a cabeça já estava acesa antes das nove horas. Abri um olho, abri o outro, tentei fechar os dois, rolei um pouco na cama, puxei o cobertor pra ver se estando mais quentinha, eu adormecia de novo. A rua estava silenciosa, o quarto estava silencioso, nem as gatas se mexiam, nada de miados ou pequenas patadas no rosto pedindo ração….era o cenário perfeito pra dormir mais um pouco. Mas eu sabia que comigo, não ia ter jeito: eu estava acordada e ponto final. Então levantei e fui pra cozinha, onde costumo me refugiar nas raras crises de insônia ou nos não tão raros dias em que acordo antes da hora.

Decidi fazer pão e algo mais. Abri a geladeira, abri a gaveta de frutas e descobri que ela tinha muitas…frutas. Calma, mami, juro que comi todos os dias a cota ideal de frutinhas, mas acontece que me empolguei com a cor das ameixas, o preço dos caquis e a casquinha resistente das maçazinhas do sacolão e errei na quantidade. Então minha gaveta tinha exatamente 3 caquis, 3 ameixas e 3 maçãs, todas prestes a passar do ponto.

Quando isso acontece, e geralmente isso acontece com maçãs, elas acabam sendo fatiadas, cozidas com um pouco de açúcar, um pau de canela e um anis estrelado. Eu até poderia fazer isso com elas, mas o que fazer com as outras seis frutinhas? Decidi então juntar tudo e fazer um chutney.

frutas

Eu já tinha feito um chutney com maçãs e ameixas, que pedia uma quantidade bem maior de ameixas e maçãs do que eu tinha. Mas chutney de caqui, pode fazer? Senhor google me respondeu prontamente: pode sim! E pode acrescentar outros ingredientes, suco de limão, semente de mostarda…

Com as duas receitas em mãos, mexi nas quantidades, tirei ingredientes (pimenta malagueta, por exemplo: não tinha em casa e eu não queria descer até a feira) e acrescentei outros: coentro e cominho em pó, semente de mostarda e por aí vai. Uma hora e meia depois, as nove frutas tinham se transformado num chutney perfumado, caramelado e gostoso. E eu continuava sem sono.

chutney

Chutney de maçãs, ameixas e caquis

Ingredientes:
- 300 ml de vinagre de vinho branco
- 3 grãos de pimenta do reino
- 1 colher de chá de grãos de mostarda
- 1 colher de chá de gengibre em pó
- 1 colher de chá de cravo em pó
- 1 colher de chá de pimenta da Jamaica em pó
- 1 colher de chá de coentro em pó
- 1 colher de chá de cominho em pó
- Sal a gosto
- 3 caquis sem pele
- 3 maçãs picadas com casca
- 3 ameixas picadas com casca
- 1 cebola picadinha
- 150g de açúcar mascavo
- 1 xícara de uvas passas brancas
- suco de 1 limão

Preparo:

Leve uma panela grande ao fogo baixo e coloque o vinagre, o sal e as especiarias. Quando ferver, junte as cebolas, as frutas e o açúcar mascavo e mexa. Quando ferver de novo, junte as uvas passas e o suco de limão, mexa bem e cozinhe em fogo baixo por mais ou menos uma hora, mexendo às vezes para não grudar. Quando o chutney estiver consistente, retire do fogo e resfrie.

Sirva acompanhando carnes, pães, carnes e pães - eu estreei o meu com coxas de frango.