lembrancinhas de maternidade

03 de agosto, 2010 

bische

quem foi me visitar na maternidade saiu de lá comendo biscoitos com gosto de amêndoas e canela no formato das letras do nome do Heitor. eu resisti um pouco a essa idéia porque não queria que ninguém dissesse que estava comendo o Heitor, mas depois achei que tinha tudo a ver numa família de pai designer gráfico e mãe cozinheira nas horas vagas, e no fundo ninguém pensou que estava comendo meu filho, e sim uma outra criação deliciosa da dupla ligadilamesse.

biscohe

para fazer as lembrancinhas, usamos essa receita e letrinhas de decorar bolo com pasta americana que se saíram muito bem como cortadores de biscoitos (e saíram muito mais baratos que os cortadores de biscoitos em forma de letras da Barradoce). os biscoitinhos foram então embalados em caixas de bombons com 6 quadradinhos (um quadradinho pra cada letra), que ganharam um laço de fita colorida. simples, bonito, gostoso, e o melhor: a nossa cara.

os biscoitos mais incríveis dos últimos tempos

30 de maio, 2010 

redond

depois de 3 canos do eletricista (desculpem o trocadilho) que viria consertar a luz da cozinha, tomamos a sábia decisão de chamar um outro profissional. este veio no dia e hora combinados e quando eu voltei do trabalho, encontrei tudo incrivelmente iluminado, depois de meses tentando ter uma rotina normal numa cozinha onde havia apenas a luz da coifa. fiquei tão contente que me deu uma vontade interminável de cozinhar, que não passou até agora. em menos de uma semana, fiz caldos de legumes, de frango, fricassé, molho de tomate, compota de peras, sopas, quenelles, muffins, bolos… e os incríveis biscoitos desse post.

eu estava paquerando essa receita há muitos meses, desde antes do Natal, mas na época, já tinha produzido centenas de biscoitos e não vi sentido (nem tive vontade) de prepará-la. mas quando decidi que quem for me visitar na maternidade (daqui a algumas semanas - frio na barriga…) vai ganhar um biscoito feito por mim, logo me lembrei deles, que correspondem ao que eu imagino como lembrancinha: algo crocante, seco, perfumado e que dure muitas semanas, ou seja, que me permita preparar com certa antecedência, e não quando eu sentir a primeira contração.

devo dizer que nas minhas andanças pela internet, acabei criando uma lista de 11 ou 12 possíveis biscoitos pra servir de lembrança da maternidade, e é bem possível que, do jeito que eu ando animada (ok, não é tanto animação, mas o fato de que é super desconfortável ficar sentada ou deitada, então passo muitas horas de pé, e só me resta fazer coisas possíveis de se fazer nessa posição: lavar a louça, arrumar armários e cozinhar) eu teste todas as receitas. mas já estou apostando nesses biscoitos aqui como os super favoritos. só nos restará então decidir qual será seu melhor formato e a embalagem mais adequada pras lembrancinhas…

ah, é muito importante trabalhar com a massa gelada, pois ela fica mais resistente quando se passa o rolo e você consegue obter a espessura adequada (meio centímetro). se a massa vai ficando menos fria, amolece, o rolo faz mais pressão e ela fica mais fina e aí, pode queimar mais rápido ou ficar mais dura depois de assada. portanto, depois de ter feito a massa, deixe-a repousar na geladeira e vá retirando, aos poucos, partes da massa pra abrir e cortar os biscoitos. outra coisa: eu não queria biscoitos com tanto gosto de Natal, então não usei o cravo em pó e dobrei a quantidade de canela. mesmo assim, o gosto que se sente primeiro é o de baunilha e amêndos, e só então, depois de algumas mordidas e mastigadas, é que vem a canela…nham nham.

biscoitos amanteigados (com e sem manteiga)

19 de maio, 2010 

bolagele

quando eu assei os biscoitos de água e sal, minha ideia era preparar também uma receita de biscoitos amanteigados, usando banha em vez de manteiga, já que a receita indicava que isso era perfeitamente possível. mas fiquei cansada e deixei pra testar os biscoitos doces depois das férias. e já que a ideia era testar a receita, resolvi fazer um teste mais completo: dividi a receita ao meio e fiz metade com banha, metade com manteiga, pra descobrir as diferenças no manuseio da massa, textura e gosto dos biscoitos.

essa receita de biscoitos amanteigados está no livro Cozinhar melhor - biscoitos e bolachas. leva 100g de manteiga (ou banha), 35g de açucar, 200g de farinha de trigo e 40 ml de jerez doce. eu não tinha jerez doce e achei que o melhor substituto seria Cointreau. para as duas receitas (com manteiga ou banha), o procedimento é o mesmo: usar a gordura em temperatura ambiente, já meio mole, e bater bem até obter a consistência de um creme (eu bato na mão mesmo, sem recorrer à batedeira), adicionar o açucar e bater mais, acrescentar o álcool e depois a farinha, aos poucos. nesse estágio, fica mais difícil misturar a farinha com agilidade (e é preciso que isso seja feito rapidamente, pra não desenvolver gluten e os biscoitos ficarem duros depois de assados). então abandona-se a espátula usada pra mexer os ingredientes e utiliza-se as mãos. mexe, mexe, mexe, em dois minutinhos a massa está super lisa, pronta pra usar. não precisa ser aberta numa superfície enfarinhada, pode ser cortada em círculos de 0,5 cm de espessura e é assada por quase 15 minutos, em forno a 180 graus.

manteiga

bem, essa é a teoria. agora vamos à prática. comecei preparando a massa com manteiga. ela ficou pronta rapidamente, liguei o forno pra preaquecê-lo enquanto cortaria os biscoitos. não enfarinhei minha mesa de trabalho e a princípio achei simples manusear a massa, mas na hora de tirar cada biscoito cortado da mesa e transferir pra assadeira (usei uma assadeira coberta com silpat), a massa quebrou um pouco. não porque estava grudando na mesa, mas porque é um pouco folhada, por causa da manteiga. então fiz o seguinte: transferi cada biscoito com o maior cuidado possível e quando eles já estavam na assadeira, usei cortei cada biscoito novamente, com um cortador menor. assim eles ficaram perfeitos. mas o processo levou mais tempo do que eu imaginava….fiquei quase duas horas na cozinha. cada fornada assou em mais ou menos 12 minutos, eu tirei os biscoitos do forno antes de estarem super dourados e duros. nessa fase, ainda era possível sentir o cheiro da laranja do Cointreau. quando eles esfriam, esse cheiro some. e os biscoitos ficam com um gosto de manteiga… e nada mais. são muito gostosos, como qualquer biscoito amanteigado, mas acho que precisam de mais açúcar e de um aromatizante. quando todos os biscoitos (mais ou menos uns 60) estavam prontos e frios, percebi que já passava de meia-noite e resolvi fazer a massa com banha na manhã seguinte. fui dormir pensando no que eu poderia fazer pra transformar aqueels amanteigados sem graça em algo mais interessante.

acordei ainda disposta a fazer a massa com banha e com uma ideia fixa: fazer uma geléia de morangos pra acompanhar os biscoitos. me lembrei de uma receita de compota de morangos que eu tinha visto na revista Blue Cooking, que levava baunilha e tomilho. saí de casa antes das nove da manhã em biusca destes ingredientes, mas só encontrei morangos de supermercado e um macinho de manjericão. lavei e piquei duas caixas de morangos, coloquei em uma panela média com meio copo de água e umas cinco colheres de sopa de açúcar e levei ao fogo baixo (deixei os morangos ali por uns 40 minutos). liguei o forno e preparei a massa com banha, acrescentando mais açúcar (50g) e Cointreau (50 ml). a massa fica mais lisa e resistente e quando aberta, quebra menos. mas precisa ser aberta mais grossa, senão quebra na hora de passar pra assadeira. e tem um cheiro inconfundível de banha (que eu imediatamente associo a empadinhas), tanto crua quanto assada. as fornadas assaram em 15 minutos, quando saíram do forno já nem se sentia mais o cheiro de Cointreau e quando esfriaram, era possível sentir um pouco o açúcar, mas a banha estava predominando. meu marido provou um biscoito e fez cara de quem não gostou. eu tentei mostrar pra ele algo bom dos biscoitos de banha: estavam super crocantes, faziam um crec-crec gostoso quando se passava a ponta dos dedos neles…mas ele não se empolgou. àquela altura, minha “geléia” de morangos estava pronta (e já temperada com algumas folhinhas de manjericão) e passei um pouco dela sobre um biscoito de banha, ofereci pra ele e ele reagiu positivamente (”aí sim”), mas sem o entusiasmo habitual. fiz o mesmo com um biscoito feito com manteiga e a reação foi melhor.

banha

minha ideia era servir os biscoitos com a geléia ao lado, em potinhos, enquanto a gente tomaria um chá com amigos, mas o encontro acabou não acontecendo e decidi rechear os biscoitos com a geléia, e levar tudo pro trabalho no dia seguinte (afinal, estamos de dieta em casa…). os biscoitos, já recheados, passaram a noite em um tupperware fechado e quando cheguei no trabalho e fui colocá-los em um prato, percebi que os que estavam debaixo da pilha (os de banha) estavam moles, meio úmidos. menos um ponto pra banha…mas parece que todo mundo gostou de todos. suspeito que foi a geléia de morango que salvou minha fornada…

morabanha2

conclusões: usar banha só pra fazer empadinhas. se for fazer essa receita com manteiga, acrescentar mais açúcar e quem sabe umas raspinhas de limão?

PS: nas duas primeiras fotos, biscoitos feitos com manteiga; nas duas últimas, feitos com banha.
PS2: eu já testei outra receita de biscoitos amanteigados, com alecrim, que ficou uma delícia. ela está aqui.

férias

30 de abril, 2010 

ufa. acho que fiz tudo o que precisava pra poder viajar tranquilamente. achei um berço decente pro meu filho. pintamos as paredes de casa. as cartilhas foram pra gráfica. comprei uma porta nova, paguei contas, terminei o My life in France. e por falar em livros, acho que o acontecimento mais incrível da semana foi ter conseguido comprar uma cópia do Cozinhar melhor - Biscoitos e bolachas. foram meses de buscas frustrantes em sebos e livrarias virtuais, até que domingo, depois de fazer os biscoitos de água, resolvi entrar mais uma vez na Estante Virtual. pulei de alegria quando vi que UM sebo tinha UM exemplar do livro (em bom estado e a um preço decente). pulei mais quando vi que o sebo fica a cinco quadras do trabalho. segunda-feira corri lá e, para minha supresa, descobri outros exemplares, dessa mesma coleção, que também estavam na minha lista de desejos: Sobremesas, Bolos e Tortas e etc. saí de lá com seis livros debaixo do braço e um sorriso de orelha a orelha. folheei todos e já escolhi algumas receitas e técnicas pra testar - claro, só depois das minhas férias. volto já.

brincando com banha: biscoitos de água com sal grosso

25 de abril, 2010 

vou viajar daqui a sete dias, então já comecei a esvaziar a geladeira. no freezer, encontrei meio quilo de banha, que sobrou de quando fizemos empadinhas, e logo lembrei das receitas de um livro sensacional (Cozinhar melhor - Biscoitos e bolachas) que justamente pediam banha - ok, estava escrito que era possível susbstituir a banha por manteiga, mas me desculpem, banha é banha.

incrivelmente, uma das receitas era de biscoitos de água e sal. achei estranho: como é que um biscoito assim tão leve, hit de toda dieta de emagrecimento, pode levar banha? bem, lá em Oxford, de onde veio a receita, eles usam banha, mas o livro explica: usa-se bem pouca pra uma quantidade enorme de farinha. resolvi testar. também escolhi uma receita de biscoitos doces, amanteigados, que pedia, aí sim, muita banha, pra acabar de vez com o meu pacote.

decidi começar pelos biscoitos salgados e minha produção parou por aí. não porque seja difícil preparar biscoitos de água e sim porque por mais que minha cabeça continue daquele jeito (super ativa), meu corpo já não aguenta muito esforço. quando engravidei, senti que pela primeira vez, meu corpo mandaria na minha cabeça, e não o contrário. pois bem. depois que eu preparei a massa, abri, cortei (usei cortadores redondos de 5 cm), furei, salpiquei de sal grosso e parmesão (atenção: em metade deles, só sal, na outra, só queijo), marido assumiu o comando do forno enquanto eu fiquei jogada em uma cadeira, suando, bebendo litros de água e gemendo de dor nas costas.

os biscoitos levam no máximo 15 minutos pra assar. precisam esfriar bem. o livro diz que ficam ótimos com patês e queijos, mas a gente comeu purinhos, com uma limonada geladíssima, pra combater o calor. e atenção pessoal da firma: amanhã à tarde não precisaremos comer aquele bolo-que-ninguém-sabe-do-que-é, porque já enchi um tupperware com esses biscoitinhos.

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Biscoitos de água de Oxford (cerca de 50 biscoitos de 5 cm de diâmetro)

Ingredientes:
- 500 g de farinha de trigo
- 1 colher de chá de sal
- 2 colheres de chá de fermento químico em pó
- 120 g de banha, gelada
- água
- sal grosso

Preparo:

Preaqueça o forno a 180 graus. Unte com manteiga duas assadeiras baixas.
Em uma tigela, peneire a farinha com o sal e o fermento.
Corte a banha gelada em pedacinhos e adicione à farinha, misturando bem com as pontas dos dedos, até esfregar toda a gordura na farinha e obter uma textura de migalhas grossas. Junto um pouco de água fria para a massa dar liga (eu usei quase meio copo), junte toda a massa com a mão até formar uma bola (se estiver farelenta, mais água nela).
Estenda a massa em uma supefície enfarinhada, até que fique bem fina (3 mm de espessura). Corte a massa em discos e fure com um garfo, salpique-os com sal grosso, sementes de papoula ou queijo ralado. Asse os biscoitos até que que as bordas fiquem ligeiramente douradas (10 a 15 minutos). Deixe esfriarem sobre uma grade.
E fica a dica de Oxford: o livro pede que eles sejam servidos em um cesto forrado com guardanapo!

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