tenho tendência a implicar com coisas grandiosas demais, chiques demais, badaladas demais, com gente demais. mas esse ano eu tinha decidido que participaria do Paladar - Cozinha do Brasil, mesmo ele sendo onde foi e promovido do jeito que foi. dei uma olhada na programação e me interessei por alguns workshops, um sobre comidas de praia, outro sobre a leveza da comida do Mocotó e algum outro cujo nome já não me lembro mais. depois me esqueci de todos os nomes e horários dos workshops, me esqueci que seria no começo de junho e esqueci o mais importante: me inscrever antes que as vagas acabassem. só fui me lembrar na sexta à noite, quando o evento já tinha começado. e as vagas…tinham se esgotado, claro.
então parti pro plano B, inventado naquele momento: descer até Santos pra comprar um peixe bem fresco, na banca perto da balsa. ando namorando peixes e não queria deixar de preparar um em um final de semana que estava mais tranquilo do que todos os anteriores: nada de aniversários, chás de cozinhas, festas a fantasia, casamentos ou eventos da firrrrma. perfeito pra descer a serra e voltar pra São Paulo com um peixão no porta-malas.
mas o plano B foi por água abaixo quando li que havia uma frente fria no litoral e decidimos não passar frio na madrugada santista. e o plano C (na verdade o A, pois eu estava apostando nele antes de lembrar do Paladar) foi acionado: acordar cedo no sábado e comprar uma bela tainha no mercado de Pinheiros. recheá-la e convidar os amigos para um almoço descontraído, onde eu poderia me desculpar por todas as lições sobre moral, justiça e direitos humanos que andei dando numa sexta-feira à noite fria e regada a muito vinho. (mas acho que a culpa não foi do vinho e sim da TPM).

e deu tudo certo: a tainha foi comprada e dessa vez não me meti a besta de querer limpá-la sozinha numa cozinha com duas gatas (como fiz certa vez com meio quilo de lulas): trouxe-a limpinha, sem vísceras e cortada pelas costas. trouxe também alguns filés de pescada. e espinafre que era o que a receita pedia. e ervilhas frescas se eu quisesse mudar tudo na última hora (na verdade eu queria mesmo era usar couve chinesa, mas não tinha no mercado). e trouxe arroz branco pra substituir o basmati que acho que estragou. e mesmo sendo muito carboidrato pruma refeição só, trouxe mandioquinhas e batatas-doces roxas: eu faria purê com uma ou com a outra, conforme a inspiração - acabei escolhendo as mandioquinhas, pois para as batatas-doces roxas, tenho outros planos (o plano D?).
e foi uma agradável tarde de sábado, fria sim mas com jeito de praia: todo mundo despreocupado com a vida, ouvindo Zé Ramalho na vitrola (apenas apanheeei na beeeeira mar, um taaaaaxi pra estação lunar….ou algo do gênero), bebericando um vinho branco gelado, comendo um peixinho, uma saladinha, um arrozinho, um purezinho, um suspirinho…ah, coisa boa.

Tainha assada recheada com espinafre e pescada
serve de 4 a 5 pessoas, dependendo da fome e do tamanho dos convidados (hehe)
Ingredientes:
- 1 tainha de 1,2 kg aberta pelas costas
- vinho branco seco
- azeite de oliva
- sal e pimenta-do-reino
- 200 g de filés de pescada
- 100 g de cebola picada
- 1 colher de sopa de azeite de oliva
- 200 g de filé de pescada
- 3 fatias e pão de fôrma
- 1/2 xícara de leite (usei creme de leite fresco)
- 1/3 de xícara de folhas de espinafre cozidas
- 1 colher (chá) de folhas de sálvia picadas
- 1 colher (sopa) de cebolinha picada
- sal e pimenta-do-reino
Preparo:
Lave a tainha e tempere com sal, azeite, vinho branco e pimenta-do-reino, cubra e leve à geladeira por 30 minutos.
Aqueça o azeite numa frigideira e frite a cebola. Retire do fogo, deixe esfriar. Bata no processador a pescada com o pão. Acrescente o leite, o espeinfare, a sálvia, a cebolinha, a cebola, o sal e a pimenta e misture bem.
Coloque a tainha em uma assadeira levemente untada com óleo, recheie com a mistura de pescada, feche-a com palitos e amarre com barbante, fazendo uma trança entre os palitos (parece um cadarço). Regue com azeite e leve ao forno preaquecido a 180 graus por quase uma hora. Antes de servir, retire os palitos, o barbante e corte em fatias com a ajuda de uma serra de pão.
PS: a receita de peixe está no livro 400g - Técnicas de Cozinha. fiquei muito em dúvida se deveria reproduzi-la aqui por causa dos direitos dos autores, que são muito bacanas. teria ficado muito mais confortável se tivesse adaptado a receita, usando outro tipo de peixe pra rechear, couve chinesa, outros temperos…mas dessa vez não deu. então pra compensar os autores por eventuais prejuízos, fica a propaganda: comprem esse livro! vale a pena, sério.