namorado bem gostoso

09 de novembro, 2009 

pescador

Na semana passada, tive a sorte de comer um namorado fresquíssimo, carnudo, comprado no mercado do peixe em Santos. O mercado fica perto da balsa que vai pro Guarujá e é freqüentado por locais, ou seja, tiozinhos fofos com cara de Popeye.

Não precisa chegar muito cedo, o mercado tem umas 10 barracas cheias de peixe e frutos do mar, além da barraquinha de uma senhora que vende temperos – cheiros verdes, saquinhos com misturas (tempero baiano, mineiro etc) e alhos e cebolas. Levamos coentro e tempero mineiro (que temperou o linguado que também compramos ali, aproveitando a viagem).

O recheio do namorado foi uma adaptação do recheio da tainha, ou seja, espinafre cozido, bem temperado, com alguma coisa pra dar liga (pão amanhecido em vez de pescada). Faz o recheio, recheia o peixe e fecha. A carne do namorado é bem firme, então, nada de espetar palitos: foi preciso costurar o peixe, com linha e agulha de costura. Na hora de comer, puxar a linha e fatiar o peixe. Alimenta 4 pessoas (e ainda sobra um pouco).

costnamo

Recheio rápido para namorado gostoso:

- 1 maço de espinafre
- 1 pão francês amanhecido picado
- ½ xícara de leite
- 1 talo de salsão picadinho
- folhinhas de coentro
- sal e pimenta do reino a gosto

Lave o peixe, tempere com sal, azeite e pimenta-do-reino.

Cozinhe o espinafre: coloque as folhas em uma panela, tampe e leve ao fogo médio. Quando o espinfare começar a soltar água, deixe cozinhar até que as folhas estejam tenras, retire do fogo e pique. Misture aos outros ingredientes e recheie o namorado. Costure o peixe eleve para assar um uma assadeira untada com azeite.

Asse por 40/50 minutos em forno preaquecido. Retire do forno, puxe a linha de costura e fatie o peixe.

PS: já em São Paulo, tive o azar de comer um saint-pierre passado. Nem comi o peixe todo, bastaram duas garfadas pra ter certeza de que havia algo de estranho. A chef foi muito simpática e trocou o prato - pedi torta de frango, e me contentei com as boas lembranças do namorado santista.

aula de moqueca (capixaba)

20 de agosto, 2009 

moqueca

Minha irmã que mora em Kuala Lumpur vê muitas similaridades entre a comida asiática e a baiana. Por isso, antes de voltar pra casa, ela comprou uma moquequeira e um livro de receitas de culinária da Bahia. Pediu para minha mãe ensiná-la a fazer moqueca, e eu entrei na aula de penetra.

A moqueca que minha mãe prepara não é a baiana e sim a capixaba, que comemos em muitos verões passados em Marataízes, cidade próxima à famosa Cachoeiro do Itapemirim – onde nasceram o Rei Roberto e a minha bisavó Araci. A moqueca não leva dendê nem leite de coco e por isso é mais leve e digesta. Minha mãe, com a paciência de sempre, nos levou para comprar peixe e depois explicou todos os passos do preparo. Lembro de ter escutado mais de uma vez que a gente deveria colocar bastante coentro e sal e mais pimenta-do-reino do que estávamos colocando. Mas a gente deletou essa informação e pegou leve nos temperos. Resultado: comemos uma moqueca linda, cheirosa e sem gosto.

No dia seguinte, minha mãe pegou o resto do peixe, temperou com muuuuuito coentro, adicionou tomate concassé (em cubinhos, sem pele nem sementes), colocou mais sal e pimenta e comemos um robalo sensacional. E as filhas aprenderam a lição: é pra temperar sem parcimônia!

terminando

Moqueca de peixe ao modo capixaba (ou do Zé de Marataízes) – 6 pessoas

- Comprar um peixe fresco e pedir pro peixeiro cortar em postas. Levar também a cabeça, pra fazer pirão.

- Se a moquequeira for nova, pincelar o interior da panela e da tampa com óleo e levar ao fogo, até secar. Passar um papel toalha para tirar os resíduos e ela está pronta para uso.

- Lavar as folhas do coentro (cerca de um maço) e temperar seis postas de peixe com elas. Acrescentar sal e pimenta-do-reino e deixar marinar por umas duas horas.

- Cortar 6 ou 7 tomates em fatias, com a casca, ou em cubinhos, sem a casca, e reservar. Lavar muitas folhas de coentro. Picar dois dentes de alho.

- Colocar um pouco de azeite na moquequeira e esfregar o alho picado no seu fundo. Colocar algumas rodelas de tomate em todo o fundo da moquequeira, temperar com sal e pimenta-do-reino e coentro.

- Colocar as postas de peixe marinadas sobre os tomates, salpicar um pouco de colorau. Colocar as rodelas de tomates restantes em cima dos peixes, jogar mais coentro.

- Levar ao fogo médio por cerca de 35 minutos, até que o peixe esteja cozido .

um dia de praia em…bem, lá em casa mesmo

08 de junho, 2009 

tenho tendência a implicar com coisas grandiosas demais, chiques demais, badaladas demais, com gente demais. mas esse ano eu tinha decidido que participaria do Paladar - Cozinha do Brasil, mesmo ele sendo onde foi e promovido do jeito que foi. dei uma olhada na programação e me interessei por alguns workshops, um sobre comidas de praia, outro sobre a leveza da comida do Mocotó e algum outro cujo nome já não me lembro mais. depois me esqueci de todos os nomes e horários dos workshops, me esqueci que seria no começo de junho e esqueci o mais importante: me inscrever antes que as vagas acabassem. só fui me lembrar na sexta à noite, quando o evento já tinha começado. e as vagas…tinham se esgotado, claro.

então parti pro plano B, inventado naquele momento: descer até Santos pra comprar um peixe bem fresco, na banca perto da balsa. ando namorando peixes e não queria deixar de preparar um em um final de semana que estava mais tranquilo do que todos os anteriores: nada de aniversários, chás de cozinhas, festas a fantasia, casamentos ou eventos da firrrrma. perfeito pra descer a serra e voltar pra São Paulo com um peixão no porta-malas.

mas o plano B foi por água abaixo quando li que havia uma frente fria no litoral e decidimos não passar frio na madrugada santista. e o plano C (na verdade o A, pois eu estava apostando nele antes de lembrar do Paladar) foi acionado: acordar cedo no sábado e comprar uma bela tainha no mercado de Pinheiros. recheá-la e convidar os amigos para um almoço descontraído, onde eu poderia me desculpar por todas as lições sobre moral, justiça e direitos humanos que andei dando numa sexta-feira à noite fria e regada a muito vinho. (mas acho que a culpa não foi do vinho e sim da TPM).

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e deu tudo certo: a tainha foi comprada e dessa vez não me meti a besta de querer limpá-la sozinha numa cozinha com duas gatas (como fiz certa vez com meio quilo de lulas): trouxe-a limpinha, sem vísceras e cortada pelas costas. trouxe também alguns filés de pescada. e espinafre que era o que a receita pedia. e ervilhas frescas se eu quisesse mudar tudo na última hora (na verdade eu queria mesmo era usar couve chinesa, mas não tinha no mercado). e trouxe arroz branco pra substituir o basmati que acho que estragou. e mesmo sendo muito carboidrato pruma refeição só, trouxe mandioquinhas e batatas-doces roxas: eu faria purê com uma ou com a outra, conforme a inspiração - acabei escolhendo as mandioquinhas, pois para as batatas-doces roxas, tenho outros planos (o plano D?).

e foi uma agradável tarde de sábado, fria sim mas com jeito de praia: todo mundo despreocupado com a vida, ouvindo Zé Ramalho na vitrola (apenas apanheeei na beeeeira mar, um taaaaaxi pra estação lunar….ou algo do gênero), bebericando um vinho branco gelado, comendo um peixinho, uma saladinha, um arrozinho, um purezinho, um suspirinho…ah, coisa boa.

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Tainha assada recheada com espinafre e pescada

serve de 4 a 5 pessoas, dependendo da fome e do tamanho dos convidados (hehe)

Ingredientes:

- 1 tainha de 1,2 kg aberta pelas costas
- vinho branco seco
- azeite de oliva
- sal e pimenta-do-reino
- 200 g de filés de pescada

- 100 g de cebola picada
- 1 colher de sopa de azeite de oliva
- 200 g de filé de pescada
- 3 fatias e pão de fôrma
- 1/2 xícara de leite (usei creme de leite fresco)
- 1/3 de xícara de folhas de espinafre cozidas
- 1 colher (chá) de folhas de sálvia picadas
- 1 colher (sopa) de cebolinha picada
- sal e pimenta-do-reino

Preparo:

Lave a tainha e tempere com sal, azeite, vinho branco e pimenta-do-reino, cubra e leve à geladeira por 30 minutos.

Aqueça o azeite numa frigideira e frite a cebola. Retire do fogo, deixe esfriar. Bata no processador a pescada com o pão. Acrescente o leite, o espeinfare, a sálvia, a cebolinha, a cebola, o sal e a pimenta e misture bem.

Coloque a tainha em uma assadeira levemente untada com óleo, recheie com a mistura de pescada, feche-a com palitos e amarre com barbante, fazendo uma trança entre os palitos (parece um cadarço). Regue com azeite e leve ao forno preaquecido a 180 graus por quase uma hora. Antes de servir, retire os palitos, o barbante e corte em fatias com a ajuda de uma serra de pão.

PS: a receita de peixe está no livro 400g - Técnicas de Cozinha. fiquei muito em dúvida se deveria reproduzi-la aqui por causa dos direitos dos autores, que são muito bacanas. teria ficado muito mais confortável se tivesse adaptado a receita, usando outro tipo de peixe pra rechear, couve chinesa, outros temperos…mas dessa vez não deu. então pra compensar os autores por eventuais prejuízos, fica a propaganda: comprem esse livro! vale a pena, sério.