fast-food na cozinha: barquinhos de abobrinha

24 de julho, 2010 

o Heitor nasceu na 5a feira, 15 de julho, e desde que voltamos pra casa, no domingo, estamos nos conhecendo melhor e tentando estabelecer uma rotina. no quesito cuidados com o bebê, já determinamos mais ou menos o horário dos banhos, já sacamos os intervalos de mamadas (duas horas pela manhã, até quatro horas durante a noite) e vamos descobrindo aos poucos as coisas de que ele gosta e o que o deixa realmente irritado, a ponto de ficar vermelho-tomate de tanto chorar. mas nos outros aspectos da vida, não dá nem pra pensar em rotina. outro dia, pela primeira vez em muitos anos, vi o sol nascer, hoje lavei o cabelo pela primeira vez em quatro dias, não sobra tempo nem pra assistir um episódio de Six feet under (e eu só consegui ver o primeiro capítulo de Ti-ti-ti), não consegui mais avançar na leitura do último livro do Anthony Bourdain, às vezes almoçamos às quatro da tarde e jantamos às dez da noite, e por aí vai.

madruga

às vezes, entre uma mamada e outra, entre um choro e um colo, até que sobra um tempinho livre. e aí é preciso fazer escolhas: lavar o cabelo ou ler o livro? organizar as contas ou mandar fotos do Heitor pros amigos? fazer pão (sim, eu penso nisso) ou lavar as roupinhas do bebê? ou desencanar de tudo e dormir? ou cozinhar alguma coisa diferente (diferente de arroz integral, legumes no vapor e sobrecoxas de frango cozidas na panela de pressão, os pratos mais recorrentes por aqui)? bem, outro dia acabei escolhendo fazer um prato diferente. mas tinha que ser rápido. e tinha que ter presunto, pois marido se enganara na quantidade e trouxera pra casa uma montanha de presunto fatiado. abri a geladeira e encontrei várias abobrinhas, uma ricota ainda fresca, um saquinho com tomilho, alguns ovos, e a montanha de presunto. pronto. ali estava nosso almoço (e jantar): barquinhos de abobrinha recheados com um creme de ricota e ovos, temperados com sal, pimenta e tomilho fresco, com pedacinhos de presunto e umas nozes em cima, só pra dar um tchans.

abobri

enquanto o forno preaquecia (a uns 220 graus), peguei umas 4 abobrinhas médias, cortei pela metade no sentido do comprimento, tirei o milo com uma colher. untei um assadeira média com azeite, coloquei as abobrinhas, joguei um fio de azeite sobre cada barquinho, um pouco de sal e pimenta-do-reino. misturei um pacote de ricota com dois ovos ligeiramente batidos, temperei com sal, folhas de tomilho fresco e umas 5 fatias de presunto picado, e distribuí o recheio sobre os barquinhos. coloquei as nozes, joguei um fio de azeite e levei as abobrinhas ao forno por meia hora. delícia!

PS: a partir da semana que vem, passaremos a comer pratos congelados. assim poderemos dormir mais, cuidar melhor dos cabelos, ler um pouco e quem sabe, voltar a assistir Six feet under…mas esse blog não morrerá, eu prometo!

quenelles de frango

01 de junho, 2010 

gastronomicamente falando, o aniversário do marido foi um exagero. não porque tenha rolado um banquete com mil e um pratos, mas porque calculei errado todas as quantidades e tamanhos, desde o bolo da festinha dos amigos, passando pela quantidade de recheio do bolo prestígio, até a quantidade de frango e macarrão pro almoço de domingo. pra simplificar: calculei tudo em dobro! então acabei com um bolo gigante com quatro andares de pão de ló mais quatro discos de merengue e muita ganache e creme de damascos (feliz de quem foi à festa, que pôde ir pra casa com um pedação do bolo); fiquei com tanto recheio de côco que fiz um outro bolo prestígio e levei pro trabalho; comemos macarrão por dias seguidos e tive que soltar a criatividade pra dar cabo de todos os peitos de frango que foram assados e ficaram intactos.

pois bem. depois de picar, fatiar, desfiar os franguinhos, decidi que faria quenelles com o derradeiro peito. quenelles são bolinhos feitos com uma mistura de carne, tempero, ovos, cozidos em água fervente, gearlmente no formato de salsichinhas. pra mim, quenelles têm gosto de comida da casa da minha mãe. gosto de infância, adolescência e de todas as vezes em que bate uma saudade em alguma das filhas e a gente pede: mãe, faz quenelle? e ela faz. sempre de frango, com o peito desfiado, muito bem temperado (sal, pimenta e noz moscada e algo mais), misturado com 3 gemas de ovos e 3 claras batidas em neve. a quenelle parece bobinha, mas tem uma maciez e um gosto muito peculiares, tão bons que dispensam um molho com mais personalidade. pras minhas quenelles, fiz um molho rápido com 4 tomates, uma folha de louro, um pouco de sal e pimenta e umas folhas de manjericão fresco. ok, parece um molho muito italiano pra um prato francês, mas gostei da combinação.

quenelle

eu sei que existem técnicas pra moldar uma quenelle perfeita, é só usar duas colheres e ir passando a massa de uma colher pra outra (já fiz isso até com quenelles de cupuaçu, que inventei de servir no meu aniversário de 30 anos). mas eu queria mesmo fazer quenelles com cara de comida de casa, então simplesmente enrolei as minhas na mão. pegava uma colherada da mistura de frango e ovos, colocava na palma da outra mão, dava um enroladinha e passava cada quenelle na farinha de trigo. e pluft, já pra água!

bom, escrevi, escrevi e não expliquei nada direito. então é assim: para cada peito de frango já cozido e desfiado, você precisa de 3 ovos, temperos a gosto e se quiser, um pouco de creme de leite fresco. desfie o frango, cheque o tempero e misture, no processador, com 3 gemas (e com meia xícara de creme de leite fresco, se apetecer), até obter uma massa cremosa. bata as 3 claras em neve e misture, delicadamente, ao creme de frango. coloque água pra farever em uma panela grande. enrole cada quenelle na mão, passe por um pouco de farinha de trigo e cozinhe na água fervente, por 10 minutos. retire as quenelles e sirva com o molho de sua preferência. voilà.

macarrão caseiro (e a superação de traumas)

21 de abril, 2010 

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fazer macarrão em casa é fácil, não é mesmo? sempre achei que fosse. passei anos vendo minha mãe fazer massa de macarrão e lasanha em dois minutos, misturando ovo e farinha e abrindo a massa na máquina que herdamos da minha avó. quando eu cresci e comecei a me interessar por cozinha, confesso que nunca me senti atraída pela culinária italiana. mas me aventurei a fazer massas, umas duas ou três vezes. em todas elas, escolhi uma receita complicadíssima e me interessei mais em acertar o prato e colher os louros por conseguir fazer algo tão complexo do que, de fato, entender a técnica por trás da receita. por sorte, me dei bem todas essas vezes. até mesmo no meu almoço de 21 anos, quando eu decidi fazer uma espécie de ravioli tricolor recheado com uma musseline de linguado, que levou horas pra ficar pronto.

mas como a vida tem altos e baixos, no ano passado eu me aventurei a fazer uma massa que nem era tão complicada assim e me lasquei. atrasei todo o almoço de Páscoa e não fiquei nada satisfeita com o resultado: uma massa grossa, que demorou muito pra cozinhar e foi servida com um recheio sem graça. depois desse dia, eu nunca mais fiz macarrão em casa - digo, massa de macarrão. até que nessa semana me deu uma vontade de tentar de novo. na verdade, nessas últimas semanas de Senac, eu fiz massa algumas vezes, e consegui ficar mais atenta a algumas coisas, como sovar a massa até ela ficar macia, não usar nada além de ovos e farinha de trigo, e abrir beeeeeem pra ela não ficar grossa quando cozinhar.

então decidi: no meu retorno à cozinha eu não faria nada super ousado (massa com ervas, massa com beterraba, coisas assim), pra poder prestar mais atenção na técnica. e escolheria um molho simples, gostoso, leve, natural, do jeito que eu gosto - e não do jeito que fizemos nas aulas, com frutos do mar, açafrão, muita manteiga, linguiças, essas coisas. inspirada por esta receita, comprei cogumelos de Paris, uma abobrinha, uma cebola, manjericão fresco e tomate cereja, mais ovos e farinha de trigo. usei 300 g de farinha e 3 ovos grandes, misturei bem, sovei (até não aguentar mais e pedir ajuda pro marido), deixei descansar na geladeira por meia hora e abri no rolo mesmo, sobre a mesa enfarinhada (até não aguentar mais e pedir ajuda pro marido).

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enquanto a água do macarrão fervia, fiz molho de tomate, cozinhei a abobrinha em cubos e depois o cogumelo. servi a massa cozida com o molho e os legumes e queijo parmesão ralado. e o trauma foi embora! claro que ainda há ajustes a fazer: abrir a massa até que fique realmente super fina e cortar em tiras bem finas mesmo, porque quando cozinha, a massa engrossa. mas acho que foi um bom recomeço e pelo ânimo do meu ajudante, logo nos aventuraremos em receitas mais complexas.

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Macarrão caseiro com molho idem (serve 3 pessoas)

Ingredientes para a massa:
- 3 ovos grandes frescos
- 300 g de farinha de trigo

Ingredientes para o molho de tomate:
- 1 cebola bem picada
- 2 dentes de alho bem picados
- uma lata de tomates pelados
- pimenta-do-reino e pimenta chili a gosto
- 10 tomates cereja cortados ao meio
- folhas de manjericão fresco

Legumes:
- 1 abobrinha italiana cortada em cubos
- 100 g de cogumelos de Paris frescos (cortados ao meio se forem muito grandes)

Preparo da massa:
Coloque a farinha em uma tigela, faça um buraco no meio e acrescente os ovos. Misture tudo rapidamente e vá sovando até que a massa fique elástica, lisa e homogênea. Enrole em filme plástico e deixe na geladeira por pelo menos 30 minutos. Abra a massa com a ajuda de um rolo em uma superfície enfarinhada, até ficar super fina. Corte tiras de massa e cozinhe em água fervente, com sal, por cerca de 5 minutos (experimente uma: ela tem que estar al dente). Escorra a massa e misture ao molho.

Preparo do molho:
Aqueça um pouco de azeite em uma panela média. Frite a cebola, o alho e acrescente os tomates pelados. Ajuste o sal e a pimenta e cozinhe por 10 minutos, até encorpar. Junte os tomates cereja cortados ao meio e algumas folhas de manjericão fresco, deixe cozinhar até que os tomates murchem um pouco, desligue o fogo.

Preparo dos legumes:
Aqueça um pouco de azeite em uma frigideira pequena, salteie a abobrinha, com um pouco de sal. Quando ela estiver macia acrescente o cogumelo, cozinhe até ele ficar macio (é super rápido), ajuste o sal e sirva sobre o macarrão.

semana dos restaurantes

01 de março, 2010 

e começou a maratona….a maratona das filas de espera, dos sorvetes de creme, das panna cottas e das tarte tatin (e eu ía esquecendo dos brigadeiros de colher e crèmes brulées). e a maratona das surpresas com a conta? e dos garçons antipáticos porque você só está ali por causa do preço camarada? afe.

eu fico com a maior preguiça do mundo a cada edição da Restaurant Week. mas acabo cedendo a uma ou outra oportunidade, além de repetir a ida semestral ao Ak. esse ano, já fiz a minha lista: Obá, Ak, Tanger e Vinheria Percussi. e pronto, assunto encerrado.

(PS: gostei do cardápio do Le French Bazar, mas depois de uma overdose de refeições por conta de um trabalho acadêmico, prefiro evitá-lo. e pra quem nunca foi, nem ouviu falar, vá ao Otto Bistrot. pra mim, é o bistrô mais fofo da cidade - e a tarte tatin pode não ser original, mas é ultra perfumada…)

São Valentim na cozinha

14 de fevereiro, 2010 

Eu não costumo ficar ligada nas datas comerciais, tipo dia dos namorados, e muito menos nas datas importadas (afinal, hoje não é dia dos namorados no Brasil). Mas quando me dei conta de que tinha preparado gelatinas em formato de coração pra comer no almoço de hoje, achei uma feliz coincidência. E fazendo as contas, percebi que hoje a gente faz 11 meses de casados, então tudo bem fazer do almoço dominical uma comemoração mais romântica.

valentim

Essa gelatina tem sabor de canela e pedaços de pêra e uva. Peguei a receita num exemplar da La Cucina Italiana dedicado a receitas de verão. Sorvetes, gelatinas, sopas frias…tudo simples e muito saboroso. A revista estava na minha cozinha já fazia algumas semanas, porque eu andava paquerando uns sorvetes – e disposta a prepará-los mesmo sem sorveteira (já que a minha não funciona no meu freezer meia boca). Mas ando com uma preguiça sem fim, e acabei me encantando mais pela simplicidade das gelatinas. Só precisei fazer uma calda de açúcar, água e canela e picar uma pêra e algumas uvas – e hidratar e esquentar a gelatina, claro.

E eu gosto tanto das receitas da La Cucina Italiana, que me empolguei pra preparar outra receita dessa mesma edição: uma sopa fria de cenoura, tomate e aipo (que eu substituí por salsão e alho-poró). Com uma sopa fria de entrada e uma gelatina docinha de sobremesa, só me faltou o prato principal. Resolvi fazer uma tortilla de patatas, uma receita que dá pra duas pessoas. Marido me ajudou a picar as cebolas, descascar as batatas e acompanhou todo o preparo. Depois, dividimos a tortilla ao meio, comemos com uma saladinha e fomos felizes para o resto da tarde.