semana dos restaurantes

01 de março, 2010 

e começou a maratona….a maratona das filas de espera, dos sorvetes de creme, das panna cottas e das tarte tatin (e eu ía esquecendo dos brigadeiros de colher e crèmes brulées). e a maratona das surpresas com a conta? e dos garçons antipáticos porque você só está ali por causa do preço camarada? afe.

eu fico com a maior preguiça do mundo a cada edição da Restaurant Week. mas acabo cedendo a uma ou outra oportunidade, além de repetir a ida semestral ao Ak. esse ano, já fiz a minha lista: Obá, Ak, Tanger e Vinheria Percussi. e pronto, assunto encerrado.

(PS: gostei do cardápio do Le French Bazar, mas depois de uma overdose de refeições por conta de um trabalho acadêmico, prefiro evitá-lo. e pra quem nunca foi, nem ouviu falar, vá ao Otto Bistrot. pra mim, é o bistrô mais fofo da cidade - e a tarte tatin pode não ser original, mas é ultra perfumada…)

São Valentim na cozinha

14 de fevereiro, 2010 

Eu não costumo ficar ligada nas datas comerciais, tipo dia dos namorados, e muito menos nas datas importadas (afinal, hoje não é dia dos namorados no Brasil). Mas quando me dei conta de que tinha preparado gelatinas em formato de coração pra comer no almoço de hoje, achei uma feliz coincidência. E fazendo as contas, percebi que hoje a gente faz 11 meses de casados, então tudo bem fazer do almoço dominical uma comemoração mais romântica.

valentim

Essa gelatina tem sabor de canela e pedaços de pêra e uva. Peguei a receita num exemplar da La Cucina Italiana dedicado a receitas de verão. Sorvetes, gelatinas, sopas frias…tudo simples e muito saboroso. A revista estava na minha cozinha já fazia algumas semanas, porque eu andava paquerando uns sorvetes – e disposta a prepará-los mesmo sem sorveteira (já que a minha não funciona no meu freezer meia boca). Mas ando com uma preguiça sem fim, e acabei me encantando mais pela simplicidade das gelatinas. Só precisei fazer uma calda de açúcar, água e canela e picar uma pêra e algumas uvas – e hidratar e esquentar a gelatina, claro.

E eu gosto tanto das receitas da La Cucina Italiana, que me empolguei pra preparar outra receita dessa mesma edição: uma sopa fria de cenoura, tomate e aipo (que eu substituí por salsão e alho-poró). Com uma sopa fria de entrada e uma gelatina docinha de sobremesa, só me faltou o prato principal. Resolvi fazer uma tortilla de patatas, uma receita que dá pra duas pessoas. Marido me ajudou a picar as cebolas, descascar as batatas e acompanhou todo o preparo. Depois, dividimos a tortilla ao meio, comemos com uma saladinha e fomos felizes para o resto da tarde.

lasanha de berinjela, sem bolonhesa

19 de janeiro, 2010 

nos últimos dias de férias eu já dizia pro meu marido: estou com saudade da minha comida. e não era um desejo de comer um prato específico, até porque eu não tenho um prato favorito, nem uma especialidade. significava simplesmente que eu sentia falta do meu tempero. que nada mais é do que a mistura de muitas ervas frescas. sabe cozinha cheirando a tomilho com um leve toque de limão? e aquele cheiro ultra refrescante de manjericão bem verde, bem fresco? então, era disso que eu sentia falta.

de volta a São Paulo, fomos ao sacolão nos abastecer de frutas, legumes e ervas. quando olhei uma bandeja de berinjelas cortadas em lâminas finas, logo soube como mataria a saudade da minha comida: faria com elas uma lasanha recheada de legumes, com queijo, molho de tomate feito em casa e temperos fresquíssimos. comprei muitos tomates, cogumelos de Paris, abobrinha, queijo, tomilho, sálvia e manjericão.

eu nunca tinha feito uma lasanha de berinjela, mas já comera várias, todas diferentes: em algumas, a berinjela fora frita, em outra, estava mais molhada; em outras, mais amarga. e em outras, havia presunto e molho à bolonhesa, além de uma cobertura de quase um quilo de queijo. eu sabia o que e como eu queria: berinjela macia, queijo em quantidade suficiente para dar uma liga mas sem mascarar os outros sabores e nada de carne. a dúvida era o que fazer com a berinjela: cozinhar um pouco, branquear, ou colocar as fatias cruas na fôrma. lendo a receita da Pat, decidi fazer o que ela recomendara: deixar as fatias em água fervente com um pouco de suco de limão. nos 10 minutos em que ficaram na água, elas amoleceram bastante, então na hora de montar a lasanha, alternei fatias cozidas com fatias cruas (que tinham sobrado). comendo a lasanha pronta, não senti diferença nenhuma na consistência das fatias. só senti o sabor e o perfume da abobrinha crocante, das lâminas de cogumelos com bastante pimenta e das folhas frescas. e fiquei satisfeitíssima com a minha comida.

lasanha

Lasanha de berinjela sem carne (para 6 pessoas)

Para o molho de tomate:
- 10 tomates vermelhos bem maduros, sem pele e sem sementes, picados
- 2 dentes de alho picados
- 1 colher de chá de vinagre de vinho tinto
- 1/2 colher de chá de pimenta chilli
- eminta do reino e sal a gosto
- 1 punhado de manjericão e de tomilho frescos

Para o recheio:
- 20 fatias (longitudinais) finas de berinjela
- 400g de queijo mussarella
- 200 g de cogumelos Paris laminados
- 2 abobrinhas médias picadas em cubos pequenos
- 1 cebola bem picada
- 1 colher de sopa de folhas de sálvia picadas
- sal e pimenta do reino a gosto

Preparo do molho:
- Em uma panela funda, aqueça um pouco de azeite e coloque o alho. Quando começar a dourar, acrescente os tomates, o vinagre, a pimenta chilli e o tomilho, misture bem e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos, até ficar com consistência de molho. Tempere com sal e pimenta do reino, junte as folhas de manjericão, tire do fogo e reserve.

Preparo do recheio:
- Aqueça um pouco de azeite em uma panela, frite as cebolas, acrescente as abobrinhas em cubos e os cogumelos em lâminas e salteie. Adicione sal, pimenta e sálvia, a seu gosto.

Preparo da lasanha:
Preaqueça o forno a 220 graus. Em uma fôrma retangular (usei uma de 24 cm X 19 cm), coloque um pouco de azeite, uma colher de molho de tomate e uma camada de fatias de berinjela. Coloque um pouco de molho, o queijo, a mistura de abobrinhas e cogumelo; mais uma camada de berinjelas e assim por diante até terminar com queijo e folhas de sálvia. Leve ao forno por 30 minutos e sirva bem quentinha.

contra a monotonia na cozinha: chuchu no prato!

30 de setembro, 2009 

chu

Chega de muffins. Chega de sopas. Chega de espinafres. Chega de cogumelos. Vocês não cansaram? Eu cansei. Então estou começando a introduzir variações nas compras do sacolão. Essa semana, as novidades foram inhame e chuchu. Eu adoro purê de inhame. E adoro chuchu, quente, frio, fatiado, picado, com camarão, sem camarão, com azeite, com ovo, ou puro. É, eu vejo muita graça no chuchu!

Olha só esse prato, por exemplo. Não ficou divertido? E saboroso também. Na fritada, usei chuchu ralado grosso, em receita inspirada nessa aqui, do blog da Neide. Como eu não tinha pimenta dedo de moça (ingrediente banido por medida de segurança, já que o dedo da moça aqui insiste em coçar o olho sempre que manipula uma pimenta fresca), usei uma pimenta-malaia-cujo-nome-eu-esqueci, meio adocicada, misturada com salsinha crespa e manjericão. Daí cozinhei o resto do chuchu em água com sal, deixei esfriar, reguei com um pouco de azeite e saboreei o almoço mais tchans dos últimos tempos.

aula de moqueca (capixaba)

20 de agosto, 2009 

moqueca

Minha irmã que mora em Kuala Lumpur vê muitas similaridades entre a comida asiática e a baiana. Por isso, antes de voltar pra casa, ela comprou uma moquequeira e um livro de receitas de culinária da Bahia. Pediu para minha mãe ensiná-la a fazer moqueca, e eu entrei na aula de penetra.

A moqueca que minha mãe prepara não é a baiana e sim a capixaba, que comemos em muitos verões passados em Marataízes, cidade próxima à famosa Cachoeiro do Itapemirim – onde nasceram o Rei Roberto e a minha bisavó Araci. A moqueca não leva dendê nem leite de coco e por isso é mais leve e digesta. Minha mãe, com a paciência de sempre, nos levou para comprar peixe e depois explicou todos os passos do preparo. Lembro de ter escutado mais de uma vez que a gente deveria colocar bastante coentro e sal e mais pimenta-do-reino do que estávamos colocando. Mas a gente deletou essa informação e pegou leve nos temperos. Resultado: comemos uma moqueca linda, cheirosa e sem gosto.

No dia seguinte, minha mãe pegou o resto do peixe, temperou com muuuuuito coentro, adicionou tomate concassé (em cubinhos, sem pele nem sementes), colocou mais sal e pimenta e comemos um robalo sensacional. E as filhas aprenderam a lição: é pra temperar sem parcimônia!

terminando

Moqueca de peixe ao modo capixaba (ou do Zé de Marataízes) – 6 pessoas

- Comprar um peixe fresco e pedir pro peixeiro cortar em postas. Levar também a cabeça, pra fazer pirão.

- Se a moquequeira for nova, pincelar o interior da panela e da tampa com óleo e levar ao fogo, até secar. Passar um papel toalha para tirar os resíduos e ela está pronta para uso.

- Lavar as folhas do coentro (cerca de um maço) e temperar seis postas de peixe com elas. Acrescentar sal e pimenta-do-reino e deixar marinar por umas duas horas.

- Cortar 6 ou 7 tomates em fatias, com a casca, ou em cubinhos, sem a casca, e reservar. Lavar muitas folhas de coentro. Picar dois dentes de alho.

- Colocar um pouco de azeite na moquequeira e esfregar o alho picado no seu fundo. Colocar algumas rodelas de tomate em todo o fundo da moquequeira, temperar com sal e pimenta-do-reino e coentro.

- Colocar as postas de peixe marinadas sobre os tomates, salpicar um pouco de colorau. Colocar as rodelas de tomates restantes em cima dos peixes, jogar mais coentro.

- Levar ao fogo médio por cerca de 35 minutos, até que o peixe esteja cozido .