amor se comemora com aspargos

04 de março, 2010 

pra mim, esse é um ensinamento de família que eu pretendo perpetuar.

aspargos

comi aspargos pela primeira vez na sopa do jantar de 50 anos de bodas dos meus avós, em um clube chiquíssimo em Joinville. eu tinha cinco ou seis anos, era uma criança birrenta e me lembro de poucas coisas daquela noite - na verdade duas, do meu vestido de veludo florido (que eu cismei que me apertava o pescoço) e da sopa de aspargos (que eu provei rodeada por estranhos, pessoas mais velhas que eu logo tachei de chatas, e sobre a sopa eu também devo ter feito alguma crítica).

muitos anos depois, os aspargos foram introduzidos e passaram a ser presença constante nas ceias de Natal em casa. meu pai fazia questão de comê-los todo ano. ele gostava de ter por perto algumas coisas que lembrassem a vida em Joinville, como roseiras no quintal, e acho que os aspargos também faziam parte de uma tentativa de rememorar momentos bons. eu, nesses Natais, já tinha deixado de ser tão birrenta e já me afeiçoara aos aspargos. hoje, gosto cada vez mais deles, e quando encontro uma bandeja à venda, fico tentada a trazer pra casa. mas sempre penso que aspargo é item de festa, e fico esperando o melhor momento de prepará-los.

essa semana, encontrei a ocasião certa. segunda-feira comemoramos cinco anos de início de namoro, e achei que uma sopa de aspargos e feijão branco seria o prato ideal prum jantar de celebração e conforto. a receita está na minha “bíblia dos dias cinzas”, o livro mais recente da Heloísa Bacellar. o preparo é rápido, simples e o resultado é incrível - uma sopa bem cremosa, com gosto de aspargos e um toque picante de salsão. pronto: espero repeti-la daqui a 45 anos…

sopas frias para os dias quentes

26 de fevereiro, 2010 

kiwi

ando tão sem tempo que tenho atrasado demais a atualização do blog e esse post, por exemplo, parece nem fazer mais sentido - agora mesmo estou fazendo uma sopa quente pruma noite fria. mas como eu sei que a qualquer momento a temperatura pode subir 10, 15, 20 graus, fica a dica: sopas frias pra espantar o calor. e não só as salgadas! sopas doces, geladíssimas, para a sobremesa, o lanche da tarde ou qualquer hora que a fome bater (no meu caso, isso tem acontecido muitas vezes ao longo do dia).

pra simplificar a vida, andei fazendo muitas sopinhas geladas de frutas. é só picar o que tiver na geladeira e servir com uma calda gelada, feita de açúcar e especiarias. ou fazer uma calda de frutas, batidas, com algum temperinho. essa da foto, eu fiz assim: piquei uma pera, misturei com um pouco de açucar e baunilha e deixei gelando. bati 4 kiwis com um pouco de cardamomo em pó e servi com as peras, amoras e uma cereja. simples, rápido e muito refrescante!

e agora, peço licença, que eu vou me aquecer com as minhas cebolas.

São Valentim na cozinha

14 de fevereiro, 2010 

Eu não costumo ficar ligada nas datas comerciais, tipo dia dos namorados, e muito menos nas datas importadas (afinal, hoje não é dia dos namorados no Brasil). Mas quando me dei conta de que tinha preparado gelatinas em formato de coração pra comer no almoço de hoje, achei uma feliz coincidência. E fazendo as contas, percebi que hoje a gente faz 11 meses de casados, então tudo bem fazer do almoço dominical uma comemoração mais romântica.

valentim

Essa gelatina tem sabor de canela e pedaços de pêra e uva. Peguei a receita num exemplar da La Cucina Italiana dedicado a receitas de verão. Sorvetes, gelatinas, sopas frias…tudo simples e muito saboroso. A revista estava na minha cozinha já fazia algumas semanas, porque eu andava paquerando uns sorvetes – e disposta a prepará-los mesmo sem sorveteira (já que a minha não funciona no meu freezer meia boca). Mas ando com uma preguiça sem fim, e acabei me encantando mais pela simplicidade das gelatinas. Só precisei fazer uma calda de açúcar, água e canela e picar uma pêra e algumas uvas – e hidratar e esquentar a gelatina, claro.

E eu gosto tanto das receitas da La Cucina Italiana, que me empolguei pra preparar outra receita dessa mesma edição: uma sopa fria de cenoura, tomate e aipo (que eu substituí por salsão e alho-poró). Com uma sopa fria de entrada e uma gelatina docinha de sobremesa, só me faltou o prato principal. Resolvi fazer uma tortilla de patatas, uma receita que dá pra duas pessoas. Marido me ajudou a picar as cebolas, descascar as batatas e acompanhou todo o preparo. Depois, dividimos a tortilla ao meio, comemos com uma saladinha e fomos felizes para o resto da tarde.

família na cozinha

13 de agosto, 2009 

domingo foi nosso primeiro dia dos pais sem o Ervilho. fizemos um almoço de família mais simples, menos festivo, mas gostoso, e de certa forma reconfortante. dividimos a produção dos pratos - eu, nessas ocasiões, no meio de tantos talentos, prefiro ceder minha casa e aprender com quem tem mais experiência a me arriscar em aventuras que podem dar errado, mas no final das contas fui para o fogão e preparei arroz (basmati, claro) e um primo do steak au poivre. por falta de tempo, minha irmã mais velha não pôde fazer suflê de chuchu, mas sigo torcendo pra que ela possa prepará-lo logo mais (eu adoro chuchu).

meggy

de entrada, a ermã resolveu fazer uma sopa fria de cerejas que ela comera em Budapeste. esta sopa, chamada meggyleves, é um prato típico do verão húngaro, tão típica que até a Knorr vende em pacotinhos. ela é meio adocicada e o segredo é usar cerejas mais ácidas, se não, fica com jeito de sobremesa. existem muitas receitas desta sopa; algumas pedem que se cozinhe as cerejas em vinho tinto seco; outras sugerem vinho tinto doce. minha irmã optou pelo doce. serviu a sopa com creme de leite fresco batido e recebeu muitos elogios. eu não tenho certeza se ela usou esta receita como base, mas acho que sim.

de sobremesa, minha mãe decidiu fazer um prato bem tradicional na nossa família: torta de ricota. a idéia inicial era fazer a receita da minha avó Käthe, mas folheando uma das minhas La Cucina Italiana, ela se interessou por uma versão sem massa. e pra mudar um pouco, substituiu as passas por damasco seco picado (embebido em rum). a receita segue logo depois da foto…

ricota

Torta de ricota fofa (serve 6 pessoas)

Ingredientes:
- 550 g de ricota fresca
- 200g de damasco picado embebido em rum, depois envolto na farinha de triho
- 180 g de açúcar
- 90 g de rum
- 4 ovos
- raspas de 1 limão
- meia fava e baunilha de baunilha (ou uma colher de chá de essência)
- manteiga para untar uma forma redonda de 18 cm
- canela em pó
- açúcar

Preparo:
Deixe os damascos de molho numa mistura de 50 g de rum e 50 g de água, por uma hora. Escorra-os e passe em farinha. Passe a ricota no espremedor de batatas, acrescente as gemas uma a uma, acrescente o açúcar, a baunilha e as raspas e limão e mexa até obter um creme. Junte o damasco, bata as claras em neve e adicione à mistura. Coloque em uma forma redonda de 18 cm, untada, e leve para assar a 180 graus por cerca de 30 minutos.
Quando a torta estiver pronta, desligue o forno, coloque sobre ela uma mistura de açúcar e canela e deixe a torta no forno quente por alguns minutos (isso ajuda a fixar a cobertura).

sopinha do sítio (e do sacolão)

24 de julho, 2009 

sitio

eu bem que gostaria de contar que os legumes e verduras desta sopa vieram do sítio. mas a verdade é que vieram do sacolão pertinho do trabalho, sacolão não, “quitanda”, um lugar chique, caro e com poucas opções, mas com a conveniência de ter muitas vagas pra parar o carro - no meu caso, um taxi. do “sítio” vieram as massinhas em formato de bichos que eu comprara na semana passada. adoro sopa com macarrãozinho mas já andava enjoada das ave-marias, pai-nossos e etc, aquelas massinhas com formato de tubos. por isso fiquei super animada quando vi na prateleira do supermercado macarrõezinhos em forma de bichinhos e outros de letrinhas, tudo com a grife Sítio do Picapau Amarelo. resolvi estrear os bichinhos na sopa de ontem, o primeiro prato que cozinhei em dias e que deveria me ajudar a nocautear a gripe e o cansaço acumulado depois de dias seguidos de trabalho e uma viagem um tanto atribulada.

para uma sopa feita por uma cozinheira febril e sem caldo de legumes natural na geladeira, ela até que superou as expectativas. fiz o de sempre: misturei cenoura, abobrinha, cogumelos, espinafre com um pouco de mandioquinha e chuchu, folhinhas de tomilho e uma folha de louro e joguei as massinhas nos 10 minutos finais de cozimento. gostei, tomei, melhorei, marido gostou, elogiou, mas eu fiquei encafifada com essa massinha. na sopa, os bichinhos incharam demais e perderam o formato, ou se romperam: pexinhos perderam seus rabos, tartarugas ficaram sem cabeça, coelhos perderam as patas…talvez ela fique melhor como um macarrãozinho mesmo, em saladas, pratos infantis ou até românticos - aliás, o primeiro almoço que fiz pro namorado que virou marido, foi um prato de macarrõezinhos italianos em formato de smurfs (com molho de manteiga, sálvia e pimenta rosa). gargamel, smurfette, smurfs e gato dos smurfs ficaram inteirinhos mesmo depois de cozidos. e me lembrando disso, tomei uma decisão pra próxima sopa depois da gripe: vou usar as letrinhas do sítio - e legumes do sacolão de verdade ;-)