
Adoro tortas doces com queijo. A torta de ricota com passas da minha mãe, por exemplo, está sempre na minha cabeça. Das receitas de família, penso muito também na torta de queijo branco com pêssegos, receita da minha avó Kate – que minha mãe fez algumas vezes, inclusive em um piquenique na chuva no interior da Alemanha (onde acabamos piquenicando no interior do carro). E tem os cheesecakes …nesse quesito, minha mãe também continua me superando, principalmente no cheesecake de jaca (que eu vou fazer dia desses). Gosto muito do cheesecake tradicional, com calda de framboesa, mas sinceramente acho simples demais (é quase como fazer mousse de maracujá com polpa, uma lata de creme de leite e outra de leite condensado, entende?) e sempre busco receitas diferentes, com outras frutas, outras misturas de queijos. Mas nem sempre tenho me dado bem- e acho bom, é errando que se aprende.
No ano passado, ao fazer um cheesecake que levava amoras frescas na massa, quebrei o liquidificador. Por falta de tempo (ou gelatina), o cake ficou mole. Nesse ano, me dei mal também com o cheesecake de mascarpone e canela que fiz pro aniversário de marido (que terminou como uma sopinha gelada). Mas logo em seguida fiz, para um almoço dos meus pais em homenagem ao pé de lichia da casa deles (essa é outra história…), um cheesecake tropical com mangas, kiwi e calda de maracujá que ficou muito gostoso – esse vira post um dia, inclusive em homenagem ao meu pai.
Nas últimas semanas, estava em busca de uma receita de cheesecake que não levasse frutas, já que elas andam horríveis por conta desse inverno rigoroso. Eu até tinha pensado em fazer alguma coisa com carambolas, mas elas estão tão feinhas que mudei de idéia. Achei a receita que parecia perfeita em um livro antigo (The Ultimate Cake): Hoboken Cinnamon Chessecake, com canela e passas e massa com cacau. Eu já estive em Hoboken e tenho boas memórias de lá: a vista de Manhattan, uma conversa com um colega sobre decisões profissionais – e ele foi mais um a me encorajar a largar a faculdade de direito – uma oficina de pintura de canecas que me fez lembrar com saudade dos meus pais (aliás, onde estará a caneca?)… Infelizmente não cheguei a conhecer em Hoboken o restaurante Oddfellows´ Rest, de onde vem a receita do livro.
A receita pedia 1 quilo de coalhada mais 250 ml de soured cream, e eu já comecei fazendo minhas adaptações. Tinha ido ao Zaffari naquele mesmo dia e comprado queijo quark, ricotas fresquíssimas e nata. Resolvi misturar 600 gramas de ricota (batida com um pouco de leite no liquidificador), 350 gramas de quark (gosto do seu azedinho) e 350 gramas de nata. Por falta de rum pra molhar as passas, usei cachaça boa, de Salinas. Para a massa, apesar de ter em casa um cacau em pó sensacional (Van Houten, trazido diretamente da Malásia), usei o Nestlé, que ficou bom também. O bolo leva mais de 1 hora e meia pra assar e no meio do caminho cobri com papel alumínio pra não ficar esturricado. Assim, ele saiu bronzeadinho, cheirosinho e…mole. Mole porque os gulosos (eu, marido e irmã) não agüentamos esperar esfriar! Não dava nem pra cortar fatias com cara de fatias. Algumas horas depois, pro chá da tarde, o cheesecake estava firme, continuava cheiroso e muito interessante – e consegui tirar uma foto decente de um bolo, não de uma maçaroca docinha.
Cheesecake de canela de Hoboken (serve 10 pessoas) – receita original, não a adaptada
Ingredientes:
Para a massa:
180 gramas de biscoitos do tipo Maria
2 colheres de sopa de cacau em pó
125 gramas de açúcar mascavo
60 gramas de manteiga, derretida e resfriada
1 clara de ovo, batida
Para o recheio:
75 gramas de uvas passas escuras
2 colheres de sopa de rum (ou cachaça boa)
1 quilo de coalhada
125 gamas de açúcar
2 colheres de chá de amido de milho, peneirado
1² colher de chá de extrato de baunilha
2 colheres e sopa de canela em pó
2 ovos grandes
2 gemas
250 ml de soured cream
Preparo:
Deixe as passas de molho no rum por 30 minutos. Enquanto isso, prepare a massa: bata os biscoitos no liquidificador, misture com o cacau e o açúcar mascavo em uma tigela. Misture a manteiga derretida e a clara batida, aperte bem em uma forma redonda (de fundo falso) de 24 cm, previamente untada.
Para o recheio, bata a coalhada e o açúcar, misture o amido de milho, a baunilha e a canela, seguidos pelos ovos inteiros e as gemas (uma de cada vez pra não ter surpresas ruins!). Retire as passas do rum, seque, misture no soured cream e acrescente à mistura de coalhada. Coloque a massa na forma.
Preaqueça o forno a 200 graus. Asse o bolo por 10 minutos a 200 graus e por cerca de uma hora e meia na temperatura mais baixa. Se o bolo começar a escurecer demais, cubra com um pedaço de papel alumínio. Desligue o forno e deixe o bolo esfriando ali mesmo até endurecer de vez.

Lidimes,
Também enjoei das clássicas cheesecakes. Gostei da sua versão e quero prová-la logo mais.Parabéns pelo blog.
Bartira
Comentário por Bartira — 20 de agosto de 2009 @ 12:12
Oi Lidimes,
Estou escrevendo pra contar que fiz esta receita e ficou uma delícia, diferente das tortas de ricota com passas que se vê por aí. Minha família toda adorou! Obrigada pela receita e parabéns pelo site!
Marcela
Comentário por Marcela — 1 de setembro de 2009 @ 8:40