
Pode parecer que não, mas garanto a vocês, caros leitores, que eu ando cozinhando bastante. Não na minha casa, mas lá na cozinha do Senac, já que desde a semana passada entramos nas aulas práticas de confeitaria. Não sei porque decidiriam que a estréia dos 35 alunos do curso (a maioria com pouca ou nenhuma experiência numa cozinha profissional) seria justamente nessa parte que é tão difícil, precisa, exigente (essas características parecem tanto se aplicar à minha pessoa…).
Eu, que adoro confeitaria e estava animadíssima, logo me vi tensa e meio desapontada comigo mesma. É difícil conciliar a compreensão de todas as etapas das técnicas básicas, mais a organização da bancada, o trabalho em equipe, o preparo, a montagem dos empratados. Ah, os empratados.. .pra mim, essa é a pior hora, ou melhor, esses são os piores cinco minutos. A prof grita lá do outro lado da cozinha e a turma se apressa em montar pratinhos enfeitados com folhinhas, caldinhas, florzinhas, frufrus e balangandãs, tudo muito clean e contemporâneo. Me desculpem, mas eu não consigo fazer esse tipo de coisa em cinco minutos! Se eu funcionasse sob pressão teria ido trabalhar no pregão, seria jogadora de futebol ou paramédica. Mas como eu não sou, fico me cobrando pra organizar tudo mentalmente antes de começar a aula, pra não perder o timing e conseguir revelar ao mundo toda a minha criatividade e senso estético (hehe). Daí eu me esqueço de alguma coisa, perco o controle sobre alguma parte do processo e me sinto a Lúcia já vou indo, sabe a lesminha do livro infantil? Aquela que se atrasou pra própria festa de aniversário?
Mas não tenho tempo nem de entrar numa profunda crise existencial, porque no dia seguinte tudo recomeça e é preciso estar limpo, asseado, passado, concentrado e producente. Então aos poucos eu começo a relaxar, pergunto para os outros como estão se sentindo e percebo que não está sendo fácil pra quase ninguém. E que tudo bem. Afinal, não estamos no Top Chef. E eu estou lá pra aprender, não pra acertar sempre.
E nessa toada maluca, só me sobra tempo pra cozinhar em casa no domingo, quando também tenho que ler jornal, ir à feira, ver a família, os amigos, relaxar etc etc etc. No último domingo, tentei reproduzir em casa uma cheesecake que eu tinha feito na aula de sexta-feira. Deu tudo errado! A massa demorou pra pré-assar, o recheio ficou meio empelotado e depois estufou no forno, não deu tempo de cozinhar a calda de manga, a torta não esfriou a tempo…. e mesmo assim, adivinhem? A torta foi devorada, morna mesmo, e à noite só tinha sobrado uma fatiazinha pra contar a história.


Muita gente acha que “aula de gastronomia” é puro glamour, é bebericar uma flute de champagne enquanto o caldo borbulha calmamente na panela… Acho que vou mandar esse seu post pra esse povo :o)
Comentário por Joana — 23 de setembro de 2009 @ 12:03
Pois é Joana, eu felizmente fugi de um curso desses… A vida tá mais dura agora, mas muito mais prazeirosa e verdadeira!
Comentário por lidimes — 23 de setembro de 2009 @ 13:15
Lidimes, não desista, pois pelo visto a cozinha é o seu lugar. Adoro o blog!
Um beijo
Gabi
Comentário por Gabriela — 24 de setembro de 2009 @ 16:30
[...] cozinhando bastante. Não na minha casa, mas lá na cozinha do Senac, já que. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]
Pingback por Fique por dentro Cozinha » Blog Archive » na cozinha, pra valer | Lidimes na Cozinha — 1 de outubro de 2009 @ 14:24