até a semana passada, minha relação com ostras era simples assim: tenho nojo de lesmas. ostras frescas se parecem com lesmas. logo, eu nunca vou comer ostras frescas. mas passeando em Ribeirão da Ilha, no lado oeste de Florianópolis, fomos almoçar em um restaurante e o garçom logo nos ofereceu ostras. diante da nossa cara de espanto e recusa, ele sugeriu que comêssemos ostras ao bafo, acompanhadas por vinagrete. “é loucura oferecer ostras ao natural pra quem nunca comeu ostras”, ele disse, e logo concordamos. cautelosos, pedimos só meia porção. cada um abriu a sua, comeu, gostou, elogiou. até pedimos outra meia porção! achei as ostras ao bafo gostosinhas e nada repugnantes. bonitas, até, lembram um cogumelo. ou alcachofra, não?

para a minha viagem a Santa Catarina, eu levei 3 livros e nossa chegada a Floripa coincidiu com o término da leitura de Eating Animals. o livro investiga a produção de carne nos Estados Unidos, revelando a crueldade e o sofrimento a que perus, galinhas, porcos, bois e peixes são submetidos. claro que no meio do livro eu já tinha parado de comer qualquer tipo de carne, mesmo os peixes recém pescados na Guarda do Embaú (só de ver os peixinhos se contorcendo na rede dos pescadores eu sentia arrepios). mas quando os garçons nos mostraram a “fazenda” de ostras ali, na frente do restaurante, e nos contaram sobre todo o processo de criação, eu achei tudo aquilo tão puro, tão “natural”, que me rendi às ostras. e logo depois, a uma moqueca de garoupa com frutos do mar, tudo pescado ali mesmo, fresquinho. só seria perfeito se os animais não tivessem sofrido nada, mas isso é pedir demais: que tirar a vida de outro animal não lhe traga sofrimento.

agora, de volta ao lar, continuo no dilema de parar de comer carne ou não. ainda não cheguei a conclusão nenhuma. mas o fato é que o consumo de carne em casa tem diminuído. e por aqui, já vou avisando, não ando com vontade de publicar nenhuma receita com ostras, peixes ou frutos do mar. mas logo mais vão surgir receitas saborosíssimas. sem carne, sem sofrimento, com muito prazer.

Entao, eu estava lendo sobre “carne organica” e cheguei a conclusao de que carne organica eh ainda pior do que carne de criadouro. Basicamente, como nao dao nada para as bichas crescerem mais, elas precisam comer muito, muito mais para chegar a tamanho de abate. Credo. Parece que arroz com feijao, de que o P. tanto gosta, vai virar prato do dia, dia sim, dia nao
Comentário por marisoca — 18 de janeiro de 2010 @ 12:12
Pois é, continuo lendo coisas e tentando tomar decisões. E a cada dia me dá mais nojo de carne…
Comentário por lidimes — 19 de janeiro de 2010 @ 15:25