Como as pessoas mais próximas sabem, meu pai faleceu repentinamente há 10 dias. Estava com a minha mãe em Budapeste e teve uma parada cardíaca que interrompeu uma viagem carinhosamente planejada, um casamento de mais de 42 anos e planos conjuntos para o futuro. Deixou inconsoláveis quatro mulheres e um gato, mais as centenas de conhecidos, colegas, amigos, professores e alunos que o admiravam pelo homem brilhante, generoso, culto, bem humorado, afável que ele era… aqueles que conheceram o Ervilho, hão de concordar com o que estou contando sobre ele.
Quem já perdeu uma pessoa muito querida, sabe o que estou passando. A dor é enorme, solitária, chega nas horas mais imprevisíveis e de repente passa, às vezes me vejo eufórica e cheia de vida, às vezes me vejo prostrada num canto, sem entender nada, questionando meu passado e sem condições de viver o presente. Não tenho tido vontade de cozinhar nada. Pelo menos tenho conseguido comer, tenho apetite, e tenho feito muitas refeições ao lado de quem ficou – minha mãe, minhas irmãs, o marido e o Dedê rondando a mesa, miando de carência e saudade.
