meu domingo de Páscoa foi meio triste, meio feliz. triste porque eu preparei uma massa que acompanharia o prato principal (vitela assada) e ela acabou ficando menos boa do que deveria. e meio feliz porque eu estava com a minha famíla querida.

tá bom, vou ser sincera: foi mais triste que feliz. porque quando eu vi que a massa estava grossa demais, que demoraria muito tempo pra ficar pronta, que o recheio não estava excepcional e que as pessoas estavam com cara de muita fome e pouca paciência, eu sentei no quintal e caí num choro daqueles que doem, sabe? e na minha dor eu não só sentia que meu plano perfeito tinha dado errado, como também que eu tinha falhado de um jeito irreversível, tinha errado nas minhas escolhas e era como se todas as portas do meu futuro na gastronomia (whatever that means) estivessem se fechando para sempre.
no dia seguinte, perguntei para alguns colegas se tinham feito massa e se a massa deles tinha dado certo. todo mundo tinha uma história de fracasso pra contar. ninguém disse que tinha feito uma massa decente. e de fato, fazer uma coisa bem feita pela primeira vez, apesar de ser uma fantasia recorrente (não só minha, de toda a humanidade, acho), é muito improvável. e como já dizia alguém há muito tempo, é errando que se aprende. mas eu, como metade da humanidade, não me permito errar. e senti mesmo, durante muitos dias, que eu nunca mais cozinharia nada, nem um ovo, nem um prato de mingau, nem uma massa, nada, nada.
mas nas semanas que se seguiram à Páscoa eu cozinhei, e bastante. fiz mais de 30 muffins que me foram encomendados e foram bastante elogiados, fiz massa de biscoito, fiz dois gnocchis muito bons, fiz arroz basmati, sopas, doces, molhos de tomate incríveis, saladas criativas e até testei uma nova receita de pão. fiz polenta com funghi, fiz mingau de aveia e um ovo poché impecável. no meio de tudo, fiz um escalope al limone intragável, uma sopa de legumes estranhíssima e um pão que não cresceu. e a vida segue, um dia gosto de carne e no outro, só como legumes, depois penso em bolo de cenoura, vou dormir lendo livros de receitas e no dia seguinte não quero fazer é nada.
mas dentro de mim, a massa que não deu assim tão certo me assombra. não me sinto pronta pra fazer outra. já sei que é melhor não colocar sêmola e reservar mais horas pro trabalho. também sei que não foi minha primeira massa e eu deveria ter aprendido alguma coisa com as experiências anteriores.
ao mesmo tempo, não sei se é porque estou ficando mais velha e mais madura, sinto que essa assombração não vai durar muito. meu lado Polyanna, que se manifesta raramente, me diz que, se eu não aprendi antes, vamos torcer para que eu comece a aprender a partir de agora. e que eu tenha a sorte de errar bastante, pra entender de uma vez por todas que um acerto não acontece por acaso e nunca, nunca, vai acontecer na primeira ou na segunda tentativas. e que mesmo assim as portas continuam abertas.

sobre a primeira vez fazendo massa em casa, vale ler estas histórias.

Não desista, algumas coisas ficam melhores com o tempo de treinamento. Tenha coragem, nem q seja para preparar uma porção mínima para vocês mesma.
Tenha fé…rs
Bjs
Comentário por Dani — 30 de abril de 2009 @ 9:27
[...] altos e baixos, no ano apssado eu me aventurei a fazer uma massa que nem era tão complicada assim e me lasquei. atrasei todo o almoço de Páscoa e não fiquei nada satisfeita com o resultado: uma massa grosa, [...]
Pingback por macarrão caseiro (e a superação de traumas) | Lidimes na Cozinha — 21 de abril de 2010 @ 16:22