Passei quase 10 dias muito gripada. Perdi o feriado, fiquei sem energia, fiz umas costuras tortas e, na cozinha, as produções não foram além de um ovo frito com couve. Minhas refeições de enferma chegaram ao cúmulo de um simples misto frio da padaria da esquina, que eu comi sonhando com uma sopa bem quente. Nos meus devaneios febris, eu acreditava que não só teria forças pra fazer a tal sopa, como para fotografá-la e divulgar a receita. Aliás, eu imaginava que conseguiria fazer mais de uma sopa, usando todos os ingredientes que tinha comprado assim que dei o primeiro espirro, vislumbrando uma cura pela alimentação: abóbora japonesa e alecrim, batatas e agrião, espinafre e feijão branco… Meu corpo só estava aguentando ficar jogado no sofá, mas minha cabeça estava muito ativa, criando títulos para todos os posts que eu publicaria aqui sobre todas as minhas incríveis e reconfortantes sopas.
Mas a gripe me derrubou de um jeito que eu mal entrei na cozinha e passei os dias muito doente, deitada e muito coberta, elaborando aforismos sobre comfort food, do tipo: “comfort food só é comfort food quando feita pela pessoa amada”. E enquanto eu filosofava, a abóbora mofou, o espinafre estragou, o alecrim fresco secou…
Incrivelmente, o agrião resistiu. E as batatas também. E o alho poró só perdeu um pouquinho do seu frescor. Então assim que eu consegui me desvencilhar das cobertas e passar algumas horas de pé sem ter vontade de voltar pra horizontal, decidi preparar uma das minhas sopas prediletas: a sopa leve de agrião, que eu aprendi no livro The Conran Cookbook – um dos primeiros livros de culinária que eu ganhei e um dos mais queridos, até hoje.
Fazer essa sopa é muito simples, a não ser por uma tarefa que eu acho muito complexa: lavar o agrião. Há muitos anos, preparando esta mesma receita, resolvi lavar as folhas usando luvas de borracha, mas no meio do processo acabei cortando um dos dedos e permitindo que todas as lesmas e caracóis infiltrados no maço pudessem entrar em contato com a minha pele. (na verdade nada disso aconteceu, mas eu fiquei petrificada de medo só de pensar nessa possibilidade) Ui! Eu tenho um misto de pavor e nojo de lesmas e caracóis que é realmente muito sério. Dessa vez, pedi ajuda ao marido, que lavou todas as folhinhas com muito esmero e bravura. E em pouco mais de uma hora, a gente pôde saborear uma sopa perfumada sem ser ardida, cremosa sem ser gorda, e muito confortante. E eu mudei meu próprio aforismo para “comfort food pode ser comfort food quando feita com a ajuda da pessoa amada”.

Sopa leve de agrião (para 4 pessoas famintas ou 6 controladas)
Ingredientes:
30 g de manteiga
2 batats grandes sem casca e cortadas em cubos
1 cebola sem casca e cortada em cubos
2 talos de alho poró, fatiados
1,5 litros de caldo de galinha ou legumes
sal e pimenta do reino
1 maço de agrião
100 ml de leite
creme e leite fresco para servir (opcional!)
Preparo:
Numa panela grande, derreta a manteiga. Junte a cebola, as batatas e as fatias e alho poró e deixe amolecerem em fogo baixo por 10 minutos, mexendo para que não escureçam. Adicione o caldo, acrescente sal a gosto e aumente o fogo. Ferva por 10 minutos e acrescente o agrião picado grosseiramente. Deixe cozinhar até que as folhas estejam macias, mas ainda verdes (isso deve levar uns 15 minutos). Corrija o sal, adicione pimenta do reino a gosto e retire do fogo.
Bata a sopa no liquidificador, depois coloque de volta na panela, acrescente o leite, misture bem e deixe esquentar de novo, sem ferver. Se quiser, sirva com um pouco de creme de leite fresco. E se quiser que a sopa fique mais bonitinha, decore com umas duas folhas de agrião.
A foto não ficou lá essas coisas, mas a sopa ficou muito gostosa.

Estiloooooooooo!!!
Quantas saudades!! Mas que blog mais gostoso! Morri com todas as receitas! E como é gostoso de ler! Já está nos meus favoritos, viu?? E como anda a vida??
Uma beijoca imensa!!!
Fófis
Comentário por Fófis — 14 de maio de 2009 @ 9:12
PS: Mais uma coisa: será que eu consigo fazer os muffins?? ahahah! Sério, li todos os posts e fiquei achando minhas aventuras na cozinha muito pobrinhas!! Bom poder beber direto de uma fonte gostosa assim!!!
PS2: Sempre quis saber pq seu apelido é Lidimes!
Comentário por Fófis — 14 de maio de 2009 @ 9:15
Querida fóóófis,
que saudades! Não tenha medo de se aventurar na cozinha! Começar pelos muffins é uma ótima estratégia, é bem difícil eles darem errado, e dá pra fazer 1001 combinações de ingredientes, mesmo salgadas.
Sobre meu apelido, ele veio lá do interior, era como a tia, tia-avó, ou prima-de-algum-grau da mãe de uma amiga era chamada…e aí a mãe dessa amiga começou a me chamar assim, gostei e a moda pegou. Mas na verdade quase ninguém me chama de Lidimes, mas é um nome que funciona super bem pra endereços de email e nomes de blogs
Comentário por lidimes — 14 de maio de 2009 @ 16:23
Sempre fui fã das suas aventuras culinárias, ainda que tenha experimentado poucos petiscos. Parabéns pelo blog. Sabe que nos anos que se passaram eu desenvolvi um certo talento culinário? Nada comparado ao seu, mas bastante alimentado por outros blogs como este. Bjs.
Comentário por Cris Morais Carneiro — 19 de maio de 2009 @ 23:59
Adorei a dica do The Conran Cookbook e fiquei afim de adquiri-lo. MMMM,
E se a foto incomodou, use o Photoshop…ehheh
Estou entre fazer esta sopa ou a de legumes, acima!?!?!
Um bolinho de amendoas vai bem para o finde…
Tem alguma receita com gengibre para sopas?
Comentário por Paulao — 22 de maio de 2009 @ 10:36
Tô com uma gripe bem forte, quase imóvel, li sobre as sopinhas e desejei absurdamente um pratinho desta sopinha…Infelizmente meu corpo não me obedece e mal consigo digitar, quanto mais ir para cozinha. Me contentarei em um pedacinho de pizza requentada. Mas no primeiro sinal vital pós gripe farei a sopa tão desejada.
Bjos, gabi
Comentário por Gabi — 17 de março de 2010 @ 11:09